Ferdinand (O Touro Ferdinando) – 2017

A história do Touro Ferdinando é tão rica e tão importante no século XX que seria imperdoável ver uma adaptação ruim para o cinema após 80 anos do curta Ferdinand the Bull (produzido por Walt Disney e vencedor do Oscar em 1938). A boa notícia é que a Fox acertou a mão com Ferdinand (O Touro Ferdinando, no Brasil) e o brasileiro Carlos Saldanha, diretor desta animação, soube aproveitar as ótimas possibilidades oferecidas pelo carismático protagonista.

Pouco antes do início da Guerra Civil Espanhola, o autor estadunidense Munro Leaf lançou The Story of Ferdinand, com ilustrações do ótimo Robert Lawson. Em meio as turbulências mundiais, a mensagem de paz através de um touro que prefere flores do que as violentas touradas logo conquistou crianças e adultos, tornando-se bestseller nos EUA durante muitos anos. O livro foi banido por Franco, foi queimado por Hitler e a história caiu no esquecimento no pós Segunda Guerra Mundial. Existia um potencial enorme para animações, curtas, mais ilustrações. Mas nada foi feito (fora um breve livreto da Disney) – e a obra de Leaf teve forte impacto apenas na geração que viveu a Segunda Guerra.

O grande trunfo de Ferdinand, de Carlos Saldanha, foi saber construir uma história moderna que, ainda assim, permanecesse com a inocência proposta por Leaf. Com boas doses de diversão e originalidade, é uma das animações mais surpreendentes dos últimos anos. Quem conhece a obra de Leaf provavelmente perceberá que o material foi utilizado no primeiro e no último ato, enquanto o desenvolvimento segue uma proposta nova para desenvolver personagens secundários. Ferdinand (voz de John Cena, exepcional) vê seu pai ser selecionado para participar de touradas – fato que é motivo de orgulho para todos os touros. Como não demonstra nenhum interesse, Ferdinand foge e acaba recebendo abrigo de uma garota e de sua família. Uma série de eventos, no entanto, fazem Ferdinand voltar a  Casa del Toro e reencontrar velhos conhecidos.

O desenvolvimento é muito satisfatório e o trabalho gráfico do pessoal da Blue Sky merece aplausos (a cena do ditado “like a bull in a china shop”, usada na promoção da animação, é engraçada). Outro ponto de destaque é que Ferdinand tem a capacidade de fazer com que os pais coloquem em pauta temas como bullying a partir da história deste filme.

Ferdinand foi nomeado ao Oscar e teve ótimos resultados de bilheteria. Seria ótimo ver uma sequência que continuasse com o respeito a obra de Leaf demonstrado por Saldanha e cia.

NOTA: 7/10

IMDb

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