Woodshock – 2017

As irmãs Kate e Laura Mulleavy fundaram a Rodarte, que parece ser uma marca de roupas em ascensão no mercado estadunidense. Antes de dirigir Woodshock elas já haviam expressado seu amor pelo cinema em entrevistas. Elas não são completas outsiders ou aventureiras. Para fazer um top 10 com La collectionneuse (Eric Rohmer) ou mencionar os filmes de Agnès Varda certamente é necessária pesquisa e indicações, já que eles estão longe do mainstream. Mas conhecimento teórico não significa muito se na prática as ideias são soltas e mal articuladas. Mesmo com duas grandes estrelas do cinema, Woodshock é uma decepção completa por apresentar tudo de maneira apressada.

Kirsten Dunst interpreta Theresa, que trabalha em uma distribuidora de maconha para uso clínico comandada por Keith (Pilou Asbaek). Abatida, ela enrola o último baseado de sua mãe (Susan Taylor), que sofre com uma doença terminal. A partir deste episódio, o desenrolar de sua vida e sua relação com seu namorado, Nick (Joe Cole), passa a misturar ficção e realidade.

As diretoras bem que tentam construir uma narrativa adicional a partir do luto de Theresa. Mas infelizmente o desfecho final, que envolve duas mortes, tem um apelo emocional mínimo. Dunst e Asbaek tem personagens incrivelmente simples, que não evoluem e ficam presos a situações expostas na introdução que não tem um desenvolvimento satisfatório. A fotografia do finlandês Peter Flinckenberg busca força na aquarela e no foco. Isolada do resto do filme, o trabalho é bom; no conjunto, apenas piora a impressão geral do longa, que busca inovação a todo custo.

Mesmo tendo em suas mãos um conjunto de atores excepcional, as irmãs Mulleavy talvez tenham sido iludidas a partir da receita fácil de um filme psicodélico, deixando de lado o compromisso com diálogos sólidos. Em determinados momentos, a confusão de Woodshock lembra The Neon Demon, mas os problemas são potencializados pelo fraquíssimo desfecho do terceiro ato, que não compensa as cenas de levitação e de dupla exposição, por exemplo, por conta do roteiro, principal vítima dessa produção. Talvez a pressão feita em torno das irmãs com a comparação com Tom Ford tenha criado um peso desproporcional a elas, que devem melhorar muito em todos os aspectos técnicos caso voltem para outro projeto.

NOTA: 3/10

IMDb

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