Die göttliche Ordnung (Mulheres Divinas) – 2017

Proposta original travada por um roteiro meticulosamente articulado por bases retrógradas, criando uma ideia oposta ao que o filme busca apresentar. É assim que defino Die göttliche Ordnung (Mulheres Divinas,  no Brasil), concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro pela Suíça.

1971. Nora (Marie Leuenberger), Theresa (Rachel Braunschweig) e Vroni (Sibylle Brunner) acompanham uma marcha pelos direitos das mulheres em Zurique. Na época, essa discussão não tinha força no país, e o vilarejo de Nora era o exemplo que comprovava que a revolução sexual não tinha apelo entre os moradores. Pior: nem o sufrágio feminino era garantido, com forte pressão de barões locais para evitar entregar poder político nas mãos das mulheres.

Dirigido e escrito por Petra Volpe, Die göttliche Ordnung infelizmente prende-se na tradicional construção de três atos. Ressalto que tal decisão, que busca uma espécie de segurança no desenvolvimento da trama, na verdade acaba jogando contra tudo o que Volpe planeja, já que o impacto de Nora e das mulheres suíças em sua cidade, por exemplo, é discutido de forma rasa. Os 90 minutos de duração se arrastam por conta de linhas de diálogo pouco trabalhadas.

De ponto positivo, a paleta de cores estabilizada na década de 1970, prova do bom nível técnico da produção que realmente possui uma bela fotografia. Mesmo com um orçamento apertado, Volpe cria um ambiente satisfatório, ainda que abuse de ambientes fechados.

Die göttliche Ordnung é um piores nomes da lista de candidatos ao Oscar de filme estrangeiro do próximo ano. Infelizmente Volpe não teve competência para criar um produto tão forte como a história que planeja contar. É indiscutível a relevância do tema, mas a presença da protagonista na tela foi conduzida como em uma dramédia de duas décadas atrás, minando o potencial de sucesso do filme.

NOTA: 5/10

IMDb

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