Battle of the Sexes (A Guerra dos Sexos) – 2017

Battle of the Sexes (A Guerra dos Sexos, no Brasil) é filme dirigido pelo casal Jonathan Dayton e Valerie Faris. Eles merecem aplausos por colocarem em pauta a luta pela igualdade de gêneros a partir de um peculiar caso da década de 1970 que ganhou notoriedade justamente pelo conjunto da vida da estrela do tênis Billie Jean King. No entanto, algumas decisões são extremamente questionáveis, deixando clara a vontade de contar uma história no padrão de Hollywood, colocando King como heroína e deixando para o espalhafatoso tenista Bobby Riggs o papel de antagonista da trama, como aponta a condução do filme.

Quem esperava um amplo retrato da vida de Billie Jean King provavelmente irá se decepcionar. O foco está centrado na disputa que dá título ao filme, que é utilizado pelos diretores para passar a mensagem de igualdade e respeito. Por mais nobre que seja essa atitude, a espetacular carreira de King e todo seu legado para o esporte infelizmente não ganham nas telas a dimensão da vida real. Mesmo as várias menções de que ela era a número 1 do mundo não são suficiente para espantar a ideia da falta de profissionalização do tênis feminino no período, talvez pelo isolamento do roteiro em torno de determinadas atletas.

Em 1973, King (Emma Stone) e Riggs (Steve Carell) se enfrentaram em um jogo de tênis transmitido para todo território estadunidense. Por conta de uma impecável promoção para tornar o evento relevante, Riggs falava em horário nobre que o tênis feminino era secundário e pregava pela superioridade masculina no esporte. King, por sua vez, clamava por respeito. Dayton e Faris transmitem essas ideias ao pé da letra, colocando esta ‘guerra’ como uma espécie de efeméride essencial para a luta pela igualdade de gêneros, fato que considero precipitado já na comparação direta entre os dois tenistas, tendo em vista que King é uma das principais atletas da história desse esporte.

Emma Stone mais uma vez é a grande estrela, com atuação destacada que preza pela análise de King como esportista e como mulher que busca sua própria felicidade. É por isso que os dois subplots do filme envolvem relacionamentos (no caso de King, sua homossexualidade e os preconceitos típicos do período e no caso de Riggs sua compulsão por apostas e os problemas gerados em sua vida amorosa por conta disso).  Steve Carell mantém a boa sequência de filmes engatilhada com Foxcatcher, mas tem complicações pela ridicularização proposta pelos diretores. Aliás, a produção também não levou em conta a fortíssima tendência de que Riggs tenha entregue o jogo para pagar uma dívida com a máfia (o artigo da ESPN EUA explica melhor essa história) já que seria um duro golpe para a narrativa geral e para a mensagem final.

Deixando de lado esses detalhes históricos que pode incomodar o espectador familiarizado com a história, a produção é de um nível bastante satisfatório. A recriação do grande confronto entre King e Riggs preza pelos detalhes (como o patrocínio da Sugar Daddy e a engraçada troca de presentes) e apesar de abusar do CGI para tentar transmitir a grandiosidade do evento no estádio, a fotografia tem um nível geral muito bom. Mas confesso que fico surpreso com o fato de dois diretores destacados do cinema independente terem adotado uma abordagem que jamais havia sido utilizada por eles até então. Apesar de enviar o espectador pra casa com um sorriso no rosto, o filme força conclusões anacrônicas, tentando fixar padrões do século XXI na década de 1970.

NOTA: 6/10

IMDb

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