Pokot (Rastros) – 2017

Pokot (Rastros, no Brasil) é diferente de todos os filmes enviados pela Polônia para a disputa do Oscar de língua estrangeira até hoje. Filmes consagrados de Andrzej Wajda, Krzysztof Zanussi e Kazimierz Kutz, por exemplo, exploravam dramas existenciais, passado nacional ou cinebiografias. Ida venceu o Oscar assim, e Afterimage, indicado do ano passado, certamente deixou ao público algumas reflexões sobre pensamento político. No entanto, o indicado deste ano não tem a força tradicional do cinema polonês. Com direção de Agnieszka Holland, Pokot não consegue nem mesmo uma sustentação básica no gênero dramático, muito por conta de um humor negro extremamente questionável.

Janina (Agnieszka Mandat-Grabka) é professora de inglês de um pequeno vilarejo rodeado por uma densa floresta. Certo dia, seus dois cachorros – tratados como filhos por ela – desaparecem. Nos meses seguintes, corpos de grandes personalidades locais são encontrados com ferimentos estranhos. A história principal, portanto, está ligada na solução do mistério, ao mesmo tempo que inicia um amplo retrato sobre o cotidiano de Janaina, especialmente na sua relação com os animais e com a natureza.

Holland também está irreconhecível. Após o excelente W ciemnosci (Na Escuridão), melhor filme do leste europeu em 2011 e indicado ao prêmio da Academia, ela deixa de lado todo seu histórico forte na montagem de tramas que sugam a atenção do público (Europa Europa e Olivier, Olivier são provas disso). A história de Pokot só toma rumo a partir de 45 minutos – ainda assim com várias passagens descartáveis, que facilmente entrariam na tesoura na sala de um editor rigoroso.

Vender o filme como thriller é um erro monumental. O atento espectador solucionará o mistério rapidamente. A trilha sonora – uma das piores que vi no cinema europeu nos últimos anos – é ridícula ao ponto de usar toques infantis na transição de cenas. Pokot chega ao Brasil no Festival do Rio – além da distribuição restrita em outros festivais. Pior filme da carreira de Holland.

NOTA: 4/10

IMDb

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