Wonder Woman (Mulher-Maravilha) – 2017

Os fracassos recentes do Universo DC nos cinemas ligaram o sinal de alerta na Warner. Apesar de Wonder Woman (Mulher-Maravilha, no Brasil) já se posicionar como um absoluto sucesso, isto não esconde a imensa dificuldade da diretora Patty Jenkins criar um produto que conseguisse levar ao público uma história da popular personagem com a mesma força com que a Marvel vem fazendo nesta última década.

O problema certamente não é a atriz Gal Gadot, que aproveita o espaço para moldar Diana de forma bem diferente do que Lynda Carter fez na década de 1970. A história tem como inspiração quadrinhos da era de prata e bronze, além de alguns elementos muito próximos do rebirth proposto pela DC no último ano.

Chega a ser bizarro pensar que Zack Snyder, um dos roteiristas e defensor da fidelidade aos quadrinhos, assinou um completo assassinato a caracterização de Steve Trevor (Chris Pine). É muito claro que o posicionamento histórico do filme na Primeira Guerra Mundial possa ter ocorrido para evitar controvérsias com a exposição de imagéticas do período nazista. Wonder Woman e Trevor têm um histórico enorme dentro da Segunda Guerra, e para absorver a proposta desenvolvida no filme o público deve aceitar inúmeras mudanças e alterações. Colocar Erich Ludendorff como inimigo é um profundo desrespeito a história e a figura do General. Pior ainda é envolver seu nome com Doctor Poison (no filme interpretada por Elena Anaya) – outro personagem que tem um histórico com as forças nazistas.

A desconstrução da Wonder Woman dos quadrinhos e sua transição para o cinema acaba afetando em cheio sua própria estruturação. Todos os filmes recentes de heróis apostam em uma profunda contextualização do personagem destaque, que cria um universo para ser aproveitado nas entradas seguintes da franquia. O que ocorre em Wonder Woman é uma tentativa de contar uma história de fundo da sua origem e de um episódio marcante. Não existe uma passagem bem definida sobre suas vestimentas (especialmente as cores), sobre seus poderes e sobre sua armadura.

Como se não bastasse essa série de absurdos, a proposta de humor não é bem definida. Achei extremamente desnecessário a necessidade de apoiar a personagem em cima de Chris Pine para tentar conquistar uma ou duas gargalhadas através do velho clichê de uma pessoa não adaptada a cultura ocidental vigente que tenta compreender o mundo a partir de outros olhos. O abuso ao anacronismo pesa.

Confesso que buscava uma experiência muito mais forte com Wonder Woman. Fiquei decepcionado pelo medo de explorar a Segunda Guerra Mundial, pelo medo de trazer de volta elementos da era de ouro – que tornaram essa personagem adorada no mundo inteiro. Como produção, apesar dos bons efeitos especiais, não existe um rumo bem definido e nem mesmo uma base sólida o suficiente para engajar o público nos filmes subsequentes.

NOTA: 5/10

IMDb

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