Ma vie de Courgette (Minha Vida de Abobrinha) – 2016

É lindo ver que a Academia mais uma vez reconhece uma animação de fora dos Estados Unidos. A indicação de Ma vie de Courgette (Minha Vida de Abobrinha, no Brasil) é totalmente merecida. O diretor Claude Barras cria um mundo interessantíssimo a partir de um refinado stop-motion.

Em uma hora de rodagem, a proposta é acompanhar alguns meses da vida de Courgette, ou Abobrinha (voz de Gaspard Schlatter). Ele acredita que é o culpado pela morte de sua mãe, e acaba em um orfanato, onde enfrenta o desafio de construir novas relações ao mesmo tempo que deve tocar a vida sem a base familiar. Ele leva consigo uma pipa com o desenho de seu pai e uma lata de cerveja, para não esquecer de sua mãe. Quando a pequena Camile (voz de Sixtine Murat) também chega ao orfanato, o coração de Abobrinha bate mais forte. Pela primeira vez ele se sente apaixonado por alguém, e é por este motivo que ele está disposto a tudo para estar perto da menina.

O tom irreverente da animação cria ótimas cenas em que a inocência das crianças cria situações embaraçosas para os adultos. O roteiro foi desenvolvido a partir do livro Autobiographie d’une Courgette, de Gilles Paris, e chama a atenção por convidar o espectador a se colocar na posição de uma criança de dez anos e refletir o mundo com menos preocupações e sem nenhum medo de ser feliz. O design único de cada marionete que foi trabalhada no longa torna mais fácil a criação de uma identidade visual para criar uma relação íntima com cada criança e adulto apresentado aqui.

A qualidade do trabalho da equipe de Barras é impressionante. Um pequeno detalhe que poucos notam nos stop-motion é a ausência de sombras, já que a adição delas torna o processo final bem mais complicado. O posicionamento do sol, por exemplo, interfere em cada personagem, com cenas dinâmicas e belas. Ma vie de Courgette é construído a partir de alicerces muito diferentes das animações americanas, e a originalidade do projeto merece aplausos.

NOTA: 8/10

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