Fences (Um Limite Entre Nós) – 2016

A peça Fences, escrita por August Wilson, é uma das mais notórias das últimas décadas no circuito estadunidense. Além do Tony Award, Wilson também recebeu o prêmio Pulitzer, em 1987. Denzel Washington comandou o também premiado revival, em 2010, e decidiu trazer cinco dos seis principais atores para a adaptação cinematográfica, recentemente lançada nos Estados Unidos e com o título Um limite entre nós, no Brasil. Em seu terceiro projeto como diretor, nota-se um amadurecimento em sua montagem. Mais que isso, Denzel soube fazer a tão polêmica e difícil transição dos palcos para as telas de forma agradável, em uma posição conservadora de seguir a risca a estrutura original. Para quem não conhece uma breve introdução sobre a importância de Fences: Wilson trabalhou por décadas em torno de seu projeto de vida, o The Pittsburgh Cycle. As dez peças que compõem o ciclo tratam sobre episódios chave do século XX nos Estados Unidos. Fences tem roteiro poderoso, e foi o primeiro de Wilson a abordar diretamente o papel do negro na sociedade americana – marginalizado, escanteado e com claro papel secundário.
Denzel Washington apresenta uma de suas melhores atuações ao interpretar Troy Maxson, lixeiro de Pittsburgh casado com Rose (Viola Davis). Vivendo de forma humilde, ele passa boa parte de seu tempo livre ao lado de seu amigo, Bono (Stephen Henderson), contando histórias do passado – quase sempre um um toque de ficção. O progresso da história depende da interação de Troy com outros personagens: Seu primeiro filho, Lyons (Russell Hornsby), é um músico que sempre pede dez dólares emprestados no dia de pagamento. Seu irmão, Gabe (Mykelti Williamson), é um veterano de guerra que passou por uma cirurgia que acabou comprometendo seu intelecto. Mas é na relação com seu filho mais jovem, Cory (Jovan Adepo). que está a maior contribuição de Fences à discussão sobre a desigualdade nos Estados Unidos. Troy foi atleta de baseball na liga negra – mas nunca conseguiu o merecido destaque por causa da cor de sua pele. Quando ele vê que seu filho quer seguir pelo mesmo caminho do esporte – mas dessa vez no futebol americano – ele imediatamente rejeita a oferta e exige que o garoto se concentre nos estudos, já que dificilmente um negro seria reconhecido em um esporte que resistia a integração.
O que chama a atenção do espectador logo de cara é que o longa tem leves cortes que dão a impressão de que os diálogos foram gravados em uma tarde. Esse efeito ocorre pela enorme entrega de Denzel e Viola, muito seguros com o roteiro e com suas emoções. A duração da peça original – que passa das três horas – fez com que Denzel deixasse de lado algumas passagens que tratavam diretamente sobre a ‘grande surpresa’ preparada para o público, que se coloca na condição de juiz em determinado momento. O bom trabalho do designer de produção David Gropman e da diretora de fotografia Charlotte Bruus Christensen (que migra de vez para Hollywood) dá gás para a produção vencer objetivos secundários (como na análise da divisão da sociedade, tratamento aos veteranos de guerra, costumes da década de 1950, popularização da televisão).

NOTA: 8/10

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