Indignation (Indignação) – 2016

James Schamus tem uma carreira consolidada como produtor e roteirista, com três indicações ao Oscar. Além disso, foi o principal apoio de Ang Lee em sua consolidação no mercado de Hollywood, uma nota que merece muito crédito. Em busca de uma nova motivação, Schamus saiu da zona de conforto para dirigir seu primeiro longa Indignation (Indignação, no Brasil) , adaptação do livro homônimo de Philip Roth.

Anos 50: Marcus Mesman (Logan Lerman) é um jovem de Nova Jérsei que consegue entrar em uma universidade de Ohio. Dentro das trágicas notícias de garotos perdendo a vida na Coreia, a decisão de ir para a universidade também afasta a convocação do exército. Aluno brilhante, ele tenta se adaptar a rotina da instituição, com rígidas regras impostas pelo reitor, Hawes Caudwell (Tracy Letts), que não tem medo de tocar nas feridas emocionais de seus estudantes. Ao mesmo tempo em que Marcus tenta lidar com as dificuldades típicas de um judeu nos Estados Unidos, ele fica encantado com a beleza de Olivia Hutton (Sarah Gadon).

Para quem não conhece o livro, um aviso. Não estamos tratando de um romance de época, apesar da cena inicial sugerir um velho clichê do gênero (quando uma idosa parece recordar de seus tempos de ouro). A licença artística de Schamus infelizmente compromete a estrutura narrativa geral do filme. Pontos decisivos da história são invertidos – e o diretor tenta abraçar uma quantidade incrível de conteúdo em menos de duas horas de rodagem. Questões complexas – próprias do contexto da década de 1950 – como a Guerra da Coreia, a repressão sexual, o combate ao comunismo, e as intolerâncias religiosas – são abordadas de forma extremamente superficial. O espectador é convidado a juntar sua experiência prévia e moldar a imagem de uma sociedade reacionária em sua cabeça, já que as linhas gerais do filme pouco contribuem para isso.

Uma das oportunidades perdidas, na minha visão, diz respeito ao ensaio Why I Am Not a Christian, de Bertrand Russell. No livro de Roth, a obra do filósofo britânico é apontada como um registro de resistência de seu tempo, que deveria inspirar Marcus e todos aqueles descontentes com o statu quo. A opção de Schamus por dramatizar superficialmente o diálogo do aluno com o reitor da universidade tira boa parte da força do clímax do filme, apesar de ainda conseguir ser uma passagem efetiva dentro de seu contexto.

Indignation é uma produção independente interessante, com atores promissores e um cuidado impecável na ambientação. Mas ao rolar os créditos finais a impressão mais forte é que o filme, além de incompleto, não soube aproveitar nem metade do potencial oferecido por Roth, mesmo com a maravilhosa fotografia de Christopher Blauvelt.

NOTA: 6/10

IMDb

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