Halloween III (Halloween III: A Noite das Bruxas) – 1982

Algum tempo atrás ouvi uma entrevista de Tommy Lee Wallace. Seu principal argumento era de que Halloween III (Halloween III: A Noite das Bruxas, no Brasil) foi um filme incompreendido, e ele – diretor da produção – considerava-se um injustiçado justamente por este motivo. O argumento elencado realmente é válido: para ele, após o tremendo sucesso de Michael Myers, o público associou a franquia Halloween ao gênero slasher, e não aceitava de maneira alguma a transição para a ficção científica. Foi por conta disso que a crítica do período tratou de pulverizar seu filme, forçando um retorno de Myers alguns anos depois.

Decidi acatar ao argumento e dei mais uma chance para Halloween III. Tinha assistido ao filme ainda na adolescência – e lembro-me de ter odiado justamente pela falta de Myers. Ouvi a trilha sonora de John Carpenter no Spotify e concluí que ela é uma das melhores da década de 1980 – o que justifica o status cult alcançado pelo filme. Comprei a versão em Blu-ray lançada recentemente justamente para poder ouvir o outro lado da história, já que os extras do disco fazem a defesa da produção. Por alguns momentos, pensava que havia cometido uma das grandes injustiças da minha vida cinéfila.

Não demorou muito para perceber que Halloween III é realmente um horror – no pior sentido da palavra. A história, apesar de realmente ter um plot com potencial, é executada de forma desleixada, com vários buracos que tomam uma dimensão desagradável ao persistir nos erros, ocorridos em sequência. Ellie (Stacey Nelkin) busca entender o assassinato de seu pai, que vivia uma vida simples com sua loja de brinquedos. Com a ajuda do médico Daniel (Tom Atkins), eles descobrem o mirabolante plano de uma fábrica de máscaras de Halloween, a Silver Shamrock.

Tudo em Halloween III é distorcido. O antagonista (Dan O’Herlihy) não tem nenhum carisma, não convence. Além disso, todos os elementos malignos utilizados para aterrorizar e criar o tão desejado suspense, não tem coerência. Uma hora, seus capangas – espécies de zumbis robôs – são poderosos; cenas mais tarde, não conseguem deter uma mulher, que teve toda sua construção em cima da ideia do sexo frágil. Os diálogos são ruins, as tomadas foram feitas de qualquer jeito, e o estilo visual não apresenta nenhuma marca própria.

Entendo perfeitamente que Tommy Lee Wallace tente até hoje exibir Halloween III anualmente para uma pequena legião que passou a cultuar o filme. É no bizarro e surreal que ele busca sustentar o diferente, já que como longa metragem – por si só – ele falha em todos os níveis possíveis. Desastre histórico!

NOTA: 3/10

IMDb

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