Our Kind of Traitor (Nosso Fiel Traidor) – 2016

Um filme de suspense necessita de uma sólida base narrativa. Ela deve ser responsável por manter o espectador atento durante toda a exibição, renovando o interesse no roteiro e oferecendo perspectivas para uma conclusão de alto nível. Our Kind of Traitor (Nosso Fiel Traidor, no Brasil) infelizmente não se preocupa em construir uma história adequada, mesclando personagens fracos em um problema nem um pouco atrativo, o que é incompreensível, já que estamos falando de uma adaptação de John le Carré, um dos maiores nomes do gênero na literatura moderna.

O acadêmico Perry (Ewan McGregor) aproveita a viagem ao Marrocos para tentar reviver o casamento de dez anos com Gail (Naomie Harris). Pouco antes de retornar à Londres, ele conhece o mafioso russo Dima (Stellan Skarsgård), que acaba pedindo sua ajuda para entrar em contato com o MI6. Em um cartão de memória, Dima oferece aos britânicos a oportunidade de revela contas secretas que comprovam desvio de dinheiro de políticos e personalidades influentes. Em troca, ele quer garantias de que sua família – ameaçada de morte – receba abrigo na capital inglesa.

A diretora Susanna White tenta captar um pouco de cada uma das áreas expostas no livro de le Carré. No entanto, a falta de profundidade joga contra essa iniciativa. Não existe espaço no cinema para se tirar o máximo de um livro – ainda mais com a pressão para entregar películas de duas horas de duração. Na obra original o autor busca traçar um paralelo da trama com os esquemas de lavagem de dinheiro a partir de uma visão internacionalista. No filme, a política internacional fica de lado, e a máfia russa é caracterizada com os mesmos clichês de sempre, assim como o MI6.

Os personagens não tem motivação alguma. O casal protagonista entra na trama e não marca seu território. Mas é a apressada análise da máfia russa que expõe o grande calcanhar de aquiles do longa. Dima é um produto típico de Hollywood da década de 1990 (que acabou virando um padrão mundial, infelizmente). Nenhuma das ameaças repassadas aos familiares têm credibilidade, já que a história de fundo chega a ser mais fraca que a trama principal. Ou seja, toda a complexidade proposta por le Carré é resumida, como se Hossein Amini, responsável pela adaptação, marcasse as páginas principais do livro.

Sem ritmo, Our Kind of Traitor é uma grande decepção. Mesmo com os resultados interessantes da bilheteria mundial, não acredito que Susanna White vá deixar os trabalhos na televisão para continuar com a carreira voltada para o cinema. Dois campos muito diferentes, dois mercados diferentes.

NOTA: 4/10

IMDb

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