The Phenom – 2016

The Phenom estreou em Triceba com a promessa de contar uma história de esporte bem diferente dos tradicionais dramas de superação que tomaram conta do cinema nos últimos trinta anos. Com um casting bastante competente, é frustrante ver o projeto optar por um caminho espinhoso, com pouca capacidade de articulação dentro de sua própria proposta principal.

Hopper Gibson (Johnny Simmons) é um dos jovens arremessadores mais desejados pelos times da Major League Baseball. Sua vida, no entanto, é extremamente problemática. O time que consegue seu draft opta por realocar Hopper em uma divisão menor e contrata o famoso terapeuta Mobley (Paul Giamatti), capa da Time magazine, para ajudar o garoto a lidar com a pressão. Não demora muito para Mobley descobrir que boa parte do peso nas costas do garoto está na sombra de seu pai (Ethan Hawke).

Hawke é competente o suficiente para entregar a melhor atuação do filme. No típico retrato do macho do interior dos EUA, sua vida é regrada por um conjunto de ações e atitudes que são difíceis de engolir na sociedade que visa cada vez mais quebrar barreiras e preconceitos.  Por outro lado, a atuação do protagonista Johnny Simmons deixa muito a desejar: ele fica preso em um personagem completamente tomado pela emoção – só que essa é transmitida ao público de maneira artificial, com uma cara inchada ou com diálogos que desprestigiam a construção criada em torno de sua luta pessoal. E Simmons parece não fazer a mínima força para deixar essa zona de conforto. As sessões com Giamatti não são interessantes, já que todas elas buscam construir uma grande lição de moral que serve como alça para o fechamento do filme.

O diretor e roteirista Noah Buschel demonstra total insegurança ao mergulhar em um forte melodrama bastante comum no cinema estadunidense. O tradicional ‘filme de baseball’ na verdade apresenta pouquíssimas cenas do jogo propriamente dito, o que gera certa estranheza, já que a narrativa está toda focada no drama da grande estrela do esporte. Neste sentido, o exagerado uso de flashbacks que buscam dar um panorama geral sobre a vida de Hopper parecem são incompreensíveis. Ao invés de abrir espaço para explorar a concepção de mundo do jovem, a insistência em arrastar temas e propor as mesmas discussões – baseadas em uma figura paterna desregulada – são repetitivas e muito cansativas.

The Phenom tinha um grande potencial, mas as questionáveis decisões do roteiro acabam gerando uma produção desnecessária, comprometida por um protagonista fraco e que acaba tornando-se opção de entretenimento apenas pela ótima participação de Hawke. Não merece nem ser comparado com clássicos como The Natural (1981) ou mesmo com o recente e excelente Moneyball (2011).

NOTA: 4/10

IMDb

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