Ben-Hur: A Tale of the Christ – 1925

Tão logo Timur Bekmambetov anunciou em conjunto com a Paramount e com a MGM uma parceria para produzir uma nova versão de Ben-Hur, inúmeros questionamentos passaram a ganhar corpo. Por qual motivo levar ao cinema um filme que já é consolidado, um clássico? Trataremos deste assunto em breve, na crítica que será publicada em breve. No entanto, creio que para a compreensão geral da história por trás da película, temos que tratar das duas grandes passagens anteriores de Judah Ben-Hur nas telas do cinema. A primeira delas ocorreu em 1925. Produzido pelas lendas, Louis B. Mayer, Samuel Goldwyn e Irving Thalberg Ben-Hur: A Tale of the Christ tornou-se em um dos maiores sucessos da história do cinema mudo.

Ben-Hur foi o livro mais vendido no mundo durante os trinta primeiros anos do século XX, e sua adaptação era cobiçada por todos grandes estúdios. A história é a mesma, com adaptações pontuais:  Judah Ben-Hur (Ramon Novarro), príncipe judeu, e Messala (Francis X. Bushman), líder da legião romana, são amigos de infância que tornam-se inimigos após Ben-Hur negar jurar lealdade à Roma. O príncipe é preso, separa-se de sua mãe (Claire McDowell) e de sua irmã (Kathleen Key) e serve como escravo do Império até o dia que salva a vida de Arrius (Frank Currier), comandante de um barco romano. Ben-Hur ganha cidadania e retorna para descobrir a localização de sua família, além de confrontar Messala. Em paralelo, Jesus passa a ganhar popularidade por conta de seus milagres.

Ben-Hur trabalha muito bem com o simbolismo. A imagem de Cristo é mostrada como a da pureza – e mesmo nas cenas em duas cores da Technicolor o destaque é para a cor branca, de alto contraste, justamente para chamar a atenção. O trabalho de câmeras foi impressionante, e o grande clímax – na cena das carruagens – trouxe uma técnica de tomada solta que foi a base para as cenas de Wings. Dentro de sua época, as atuações de Ramon Novarro e Francis X. Bushman continham os típicos traços melodramáticos, que tanto encantavam as plateias.

O grande destaque, no entanto, fica com a edição. A maestria dos cortes (como exemplo, dos 61km de rolos captados na cena das carruagens, apenas 270 metros foram aproveitados no final). A sutileza dos intertítulos – com diálogos precisos – chama a atenção. Talvez aqui seja o caso de analisar uma cena icônica, logo no começo do filme: a amizade de Ben-Hur com Messala vai do céu ao inferno em poucos minutos – com marcas características nos rostos que indicam emoções que passam do ódio ao nojo.

Kevin Brownlow foi o acadêmico que mais estudou sobre a versão de 1925 de Ben-Hur – tanto é que ele esteve envolvido na remasterização do mesmo. Suas pesquisas provam que o filme tinha tudo para ser um fiasco, mas conseguiu chegar às telas graças aos produtores. Alguns casos relatados em sua obra prima, The Parade’s Gone by, servem de bons exemplos: em primeiro lugar, a escolha feita para as filmagens foi a pior possível. A Itália, na época, sofria com as disputas trabalhistas, e os vários acordos feitos com os americanos eram deixados de lado tão logo os fascistas ganhavam mais influência. Ao invés de cancelar as filmagens, os diretores da MGM decidiram trabalhar com essa tensão (e as cenas de combate, na verdade, tornou-se fácil na medida em que a proposta foi colocar frente a frente apoiadores e opositores de Mussolini). Casos de roubo, problemas tanto na construção dos gigantescos sets quanto na missão de conseguir pessoas para completarem papeis extras prejudicaram o andamento, mas não abalaram um dos maiores investimentos do cinema mudo.

Um dos grandes filmes de sua era, Ben-Hur marcou profundamente técnicas de produção, estilo e narrativa que seriam utilizados até os últimos sucessos do cine mudo. Mais que isso, foi a sólida base para William Wyler – que participou na produção de uma cena – trabalhar seu clássico remake. Impactante!

NOTA: 8/10

IMDb

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