The BFG (O Bom Gigante Amigo) – 2016

Steven Spielberg na direção, trilha sonora de John Williams, fotografia de Janusz Kamiński e edição realizada por Michael Kahn. Impossível não ter altas expectativas, tendo em vista o excepcional trabalho realizado por este quarteto no passado. Apesar de chamar a atenção pelo uso de ótimos efeitos visuais, The BFG (O Bom Gigante Amigo, no Brasil) peca por tentar montar a experiência cinematográfica em cima de uma estrutura em três atos, muito diferente do proposto na história original de Roald Dahl.

No Reino Unido da década de 1980, a pequena Sophie (Ruby Barnhill) aguarda pelo toque das três da madrugada em seu orfanato, lembrando que tal horário marca a chamada ‘hora da bruxa’. Após ouvir um barulho vindo da rua, ela acaba avistando o Bom Gigante Amigo (Big Friendly Giant, na voz de Mark Rylance) que decide levar ela para a terra dos gigantes para não evitar que a garota desperte a curiosidade dos humanos. Ao chegar lá, ela se depara com a realidade do gigante, que coleta e constrói sonhos ao mesmo tempo que é pressionado por outros nove gigantes (pelo menos duas vezes mais altos e dez vezes mais burros).

No último trabalho de Melissa Mathison (responsável pelo roteiro de ET), Spielberg decide barrar boa parte dos elementos sombrios de Dahl para levar uma experiência familiar mais suave, moldando sua narrativa em cima da relação de Sophie com o gigante. O primeiro arco, estabelecido logo nos primeiros minutos, visa estabelecer a garota como uma criança destemida – característica que teria forte influência nos diálogos na terra dos gigantes. A partir do momento em que sua presença no mundo dos sonhos é notada pelos outros nove gigantes, o segundo arco narrativo ganha corpo, explorando a relação de uma entidade de poder (Rainha) que pode utilizar recursos externos para barrar uma ameaça das criaturas no mundo real. O grande problema é que a mediação entre dois elementos completamente opostos não é feita de forma clara o suficiente para remover a impressão de um fechamento bastante apressado que busca unir elementos para deixar clara a sensação de um começo, meio e fim.

Sempre pioneiro na questão visual, dessa vez o diretor desvia a atenção de seu espectador para o enorme ambiente gerado pelo CGI – soberbo e com ótimos filtros que fixam a monotonia da cidade em oposição ao desconhecido mundo fantástico dos gigantes. Ainda assim, alguns pequenos erros chamam a atenção: o posicionamento das sombras parece ser fixo (como se o sol estivesse sempre fixado no norte do campo de visão do espectador) e em determinadas passagens de Sophie na casa do bom gigante, nota-se um abuso no contraste que cria uma sensação superficial de um jogo de vídeo-game.

The BFG sofre com seus vários anticlímax na metade final, que tornam a experiência cansativa. A história de Dahl perde parte de sua magia em simplificações desnecessárias e em tomadas feitas para buscar o humor inocente, como na famosa passagem do encontro do gigante com a Rainha da Inglaterra. Para um espectador casual, no entanto, os bons efeitos visuais provavelmente sejam vistos como chave para considerar The BFG uma boa opção de entretenimento.

NOTA: 5/10

IMDb

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