Marauders – 2016

Durante o diálogo chave de Marauders, um personagem questiona se tudo o que ocorreu anteriormente valeu a pena. A conclusão negativa explícita no próprio roteiro coloca para o espectador a mesma pergunta – que, adianto, tem uma resposta igualmente ruim.  A indústria de filmes B dos Estados Unidos peca ao querer fazer extrapolar limites com orçamentos apertados, nos quais geralmente um grande estrela domina a folha de pagamentos para tornar o filme atrativo comercialmente. Ao invés de optar por roteiros humildes (no qual os produtores tenham o mínimo de consciência de que não é possível fazer mágica) – as histórias mirabolantes ganham traços gigantescos, querendo emular grandes sucessos. No gênero ação, tal fato é ainda mais nítido.

A base do roteiro é exatamente a mesma de Triple 9. A execução, no entanto, deixa muito a desejar. Na cena inicial, uma quadrilha bem treinada e armada assalta um banco. Com aparatos tecnológicos avançados, a incrível coordenação chama a atenção dos investigadores. É então que descobrimos que o banco é de propriedade de Hubert (Bruce Willis), que esconde segredos de empresários e políticos nos cofres de suas filiais. O objetivo final dos assaltos tendem a revelar uma complexa conspiração, investigada pelos agentes do FBI Jonathan Montgomery (Christopher Meloni), Stockwell (Dave Bautista), Wells (Adrian Grenier) com o policial Mims (Johnathon Schaech).

Mais uma vez, Bruce Willis decepciona seus fãs ao ter um papel extremamente limitado. Assim como Al Pacino em Misconduct, sua atuação é fechada em torno de conhecidas expressões faciais (como o sorriso de deboche) e pequenas frases de efeito, deixando claro que a participação tem o objetivo alavancar as vendas on demand.

A construção do roteiro abusa da boa vontade do espectador, que se vê obrigado a engolir explicações que tentam cobrir diversos furos deixados ao longo do caminho. A composição visual é extremamente frágil, com cortes rápidos que tentam passar a impressão de fluidez – mas que acabam entregando justamente o oposto, demonstrando a falta de equilíbrio do diretor Steven C. Miller.

O maior prejudicado é Dave Batista, que luta para se desvincular do estereótipo de wrestler que marcou, por exemplo, a tentativa de consolidação de John Cena no cinema. É óbvio que Dave não tem o mesmo potencial e carisma que The Rock – mas é um ator esforçado, que ainda espera por uma grande chance que não vincule sua imagem com a de um bruto irracional.

O fracasso de Marauders tem pouca importância para a Lionsgate e para seus produtores, já que o lançamento direto nas plataformas digitais limita o público, diminui o impacto das críticas e consegue absorver uma parcela de fãs fiéis do gênero de ação. Mais um exemplo de filme que não deveria ter saído do papel.

NOTA: 3/10

IMDb

Comments

comments

Deixe uma resposta