Ghostbusters – 2016

Ghostbusters, sem sombra de dúvidas, é o projeto mais polêmico de 2016 no cinema. Para fazer uma análise do filme, considero extremamente necessário abordar sobre o caso do trailer do Youtube (vídeo de cinema com o maior número de dislikes até hoje). Considero absurdo pensar que pessoas negativaram o vídeo apenas por conta do reboot ser comandado por personagens femininos. Apesar de acreditar que essa entrada na franquia teve o único intuito de lucrar em cima de uma base de fãs consolidada, o público deveria ao menos dar a chance para assistir no cinema e fazer seu próprio julgamento. Não foi o que ocorreu, obviamente. O pior de tudo foi Sony assistir às críticas de forma passiva: ao invés de tentar promover seu filme em meio a uma necessária discussão sobre sexismo no cinema, a empresa preferiu se silenciar, e não deu ao diretor nem mesmo a oportunidade de deixar claro que uma das personagens era lésbica. Para o leitor que seguir, faço um alerta de spoilers.

Feita essa breve introdução e entrando diretamente na experiência do cinema, Ghostbusters é um fracasso gigantesco. É extremamente triste assistir a um filme de orçamento tão alto se sustentar apenas no CGI, fraco, por sinal, visto que sua narrativa é cheia de problemas, sem nenhum ponto alto. Apesar de se passar no mesmo universo do clássico de 1984 (o que pode ser comprovado graças a uma referência ao personagem Egon Spengler), o que assistimos não é uma sequência direta. Pelo contrário, a história é nova e busca introduzir as novas caçadores de fantasma e tudo o que as cerca.

Na Nova York atual, Erin (Kristen Wiig) é uma acadêmica que busca se distanciar da obra sobre fenômenos paranormais escrita em sua juventude junto de Abby (Melissa McCarthy). Apesar da falta de contato, elas acabam se reunindo após receberem um chamado para investigar uma casa mal assombrada, junto de Jillian Holtzmann (Kate McKinnon), assistente de Abby. Durante outras investigações, Patty Tolan (Leslie Jones) – que trabalhava no metrô e testemunhou uma aparição – junta-se à equipe, que ainda conta com um recepcionista (Chris Hemsworth, que não merecia um personagem tão estúpido). Eles buscam respostas para a onda de casos que assombra a cidade, e temem pela abertura de um grande portal que traria um verdadeiro caos. Andy Garcia – prefeito de NY na trama – infelizmente entrega uma atuação presa a um personagem secundário de pouca expressão na narrativa, não passando nem perto do ótimo personagem de William Atherton no original, que tem a mesma missão de acabar com os Ghostbusters.

O roteiro é aterrorizante – no pior sentido da palavra – com diálogos mal orquestrados e péssimas piadas secundárias. Para um filme PG nos Estados Unidos, surpreende o fato de que a maior parte das falas da personagem de Wiig são sustentadas em piadas sem graça sobre a beleza de Chris Hemsworth. A impressão é de que Feig tentou reproduzir um pouco do sucesso de Bridesmaids, mas sem a menor eficácia por conta do tamanho deslocamento de gênero. Os fantasmas não têm vida (com o perdão do trocadilho), não assustam e não têm a mínima graça – sem contar no vilão, que é um dos mais absurdos da história dos blockbusters de verão. Ou seja, o resultado final mostra um verdadeiro desperdício de CGI, tendo em conta o potencial do estúdio.

A Nova York de Ghostbusters é monótona, gerando uma experiência digna de um filme B de estúdio da década de 1960. A cidade parece depender apenas das quatro mulheres, com ruas vazias, pessoas espalhadas com movimentos robóticos e que não fazem a mínima diferença. Em determinada cena, um fantasma ataca um show de uma banda de metal – e torna-se nítido que existia alguém coordenando o que o público deveria ou não fazer. Uma pessoa usa um selfie stick para tirar uma foto, mas as demais estão fazendo caras e bocas dispersas. O pior é que ninguém mais usava um celular em pleno show – que torna frágil engolir o roteiro final justamente pela falta de noção de convergência de mídias (produtores, não estamos mais na década de 1980!).

Ghostbusters reúne em invejável elenco, com uma invejável produção, mas não consegue emular o carisma da história de 1984. No fundo, uma comparação direta torna-se inviável, e as únicas coisas positivas são justamente as memórias do clássico, como o logotipo, a poderosa trilha sonora e os bons cameos.

NOTA: 4/10

IMDb

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