Where to Invade Next (O Invasor Americano) – 2015

Controverso como sempre, Michael Moore apresenta ao mundo seu mais recente documentário, Where to Invade Next (O Invasor Americano, no Brasil). E, como sempre, o alvo dos ataques continua sendo o American way of life. O curioso título trabalha bem com a imaginação do público: para o diretor, desde a Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos não conseguiram uma vitória em uma guerra. Por isso, a ideia é apresentar países que poderiam ser alvo dos EUA, mas pelo viés econômico, político e cultural, e não pelo militar.

A narrativa é simples: Moore visita vários países do mundo (como Alemanha. França e Itália) para comparar as gestões de governo. Ele busca causar o espanto de seus conterrâneos ao mostrar que os italianos ganham um décimo-terceiro salário, que os alemães trabalham 36 horas e recebem 40, e que os as crianças francesas têm refeições de alta qualidade nas escolas, por exemplo.

Por mais que tal iniciativa seja válida, a crítica do sistema capitalista é feita de forma incompleta. O próprio Moore reconhece que os países citados têm uma carga de impostos muito mais elevada do que os EUA. Os exemplos estrangeiros são repercutidos apenas dentro dos próprios países alvo (ou seja, alemães comentando sobre o sistema alemão e estabelecendo comparações com o empregado nos EUA). Só que o ponto chave diz respeito ao nariz torcido dos americanos ao aumento de impostos, que já foi responsável por derrotas de presidentes e de congressistas, por exemplo. O assunto é uma espécie de tabu na sociedade, e a tão cultuado valor da liberdade que Moore busca repassar, para eles, tem relação direta com impostos baixos.

Infelizmente, o timing do documentário foi prejudicado pelas discussões recentes da eleição presidencial de 2016: um dos tópicos abordados é a gratuidade das universidades, bandeira levantada por Bernie Sanders em sua campanha. Apesar de entender que Where to Invade Next foi finalizado na metade do ano passado, não se pode passar a falsa impressão de que nada existe sobre o tema – até pelo fato do diretor ter tempo suficiente para adicionar um complemento desde sua grande estreia, no festival de Berlim deste ano.

A conclusão é bastante exagerada. Moore, que agora se considera um otimista, diz que todas essas ideias foram criadas pelos próprios americanos. Ou seja, a ideia idealista de que os EUA é a nação que guia o mundo continua viva, criando uma ruptura com o que o próprio diretor já fez em documentários anteriores. Apesar de trazer algumas informações relevantes, Where to Invade Next – em resumo – é um conjunto de curiosidades que não conseguem tomar corpo e ampliar a discussão para os EUA. Se a ideia era mudança, qual seria o primeiro passo? Sem a mesma luz de anos aventuras anteriores, o documentário de duas horas cansa por bater sempre na tecla de que o sistema americano é falho e corrupto, sem apresentar um contraponto plausível.

NOTA: 6/10

IMDb

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