Oscar 2017 (terceira prévia – animação)

Conforme combinado na última postagem, hoje abro espaço para a discussão sobre os favoritos ao próximo Oscar na categoria animação. Antes, duas colocações:

  1. Essa é a categoria mais fácil de se prever, já que os grandes favoritos tem um gigantesco projeto de marketing por trás;
  2. Ainda assim, é bom lembrar que a Academia está cada vez mais atenta ao que é produzido fora do eixo EUA-Europa, com um olho no Japão e outro em independentes, como foi o caso de O Menino e o Mundo.

Não existe um padrão estabelecido pelo comitê para as nomeações, mas elas seguem mais ou menos o modelo abaixo:

Uma ou duas nomeações para grandes sucessos comerciais (geralmente Pixar/Disney);

Uma nomeação para uma animação independente;

Uma nomeação para animação estrangeira de destaque;

Uma nomeação para animação com conteúdo maduro, adulto (tendência para Rated R);

Uma nomeação para uma animação independente estrangeira, pouco comentada, escolhida pelo comitê.

A Pixar já coleciona nove vitórias em quinze anos de premiações (incluindo Inside Out, na edição de 2016), mas vê seu domínio ameaçado justamente pela sua ‘irmã’- a Walt Disney Animation Studios, vencedora com Frozen e Big Hero 6. Aparentemente, a briga em 2017 será novamente dessas duas forças:

Zootopia é um sucesso de público, crítica e que tem um enorme potencial de franquia. É por isso que Disney aposta tão alto no licenciamento dos simpáticos personagens. Seu lançamento em março de 2016, teoricamente não seria um empecilho, já que a produtora tem dinheiro o suficiente para o envio de screeners na época das premiações. Moana, que deve ser lançado na janela de premiações, corre for fora como uma segunda via da Disney.

Finding Dory (Procurando Dory) – por outro lado – tem tudo para repetir o êxito de Nemo. O universo criado pela Pixar é agradável, os personagens são engraçados e as prévias de imprensa apontam para mais um passo certo da Pixar, para apagar de uma vez por todas o erro gigantesco cometido com The Good Dinosaur.

A Sony chega com duas grandes apostas: a primeira é Sausage Party (Festa da Salsicha) – uma tentativa de estabelecer uma tendência de indicar ao menos uma animação para adultos  – rated R – no Oscar, como com Anomalisa. A diferença é que o filme de Charlie Kaufman tinha vida própria pela sua história espetacular, enquanto Sausage é mais um daqueles filmes típicos de Seth Rogen. A outra aposta da Sony se dá pela sua ala internacional, com a compra dos direitos de La tortue rouge (A tartaruga vermelha), destaque em Cannes e vencedora do Un Certain Regard – que entraria na cota de animação estrangeira de destaque.

Outros players do mercado, a Universal joga suas fichas em The Secret Life of Pets (Pets: A Vida Secreta dos Bichos) – com destaque especial para a boa recepção de seus trailers. A DreamWorks busca voltar ao topo com um investimento alto em Trolls e a Fox parece saber que Ice Age: Collision Course (A Era do Gelo 5) é um produto para abastecer a franquia, sem maiores pretensões.

Desde o sucesso de Coraline, a Laika cresce e apresenta um potencial imenso para competir com estas duas forças consolidadas do mercado. Com um tom independente, Kubo and the Two Strings (Kubo e a Espada Mágica) ganha força por ser uma fantasia em stop-motion, que conquista cada vez mais adeptos.

A grande questão – até o momento – é: será que a Netflix tem chances com The Little Prince (O Pequeno Príncipe)? A gigante mundial comprou a produção da Paramount, após correr o mundo em festivais e ser engavetada. Agora a promessa é de um forte investimento nos EUA para garantir a disputa pelo Oscar.

Na próxima postagem, discutirei a tão questionada seleção de filmes estrangeiros pela Academia. Até lá!

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