I Saw the Light – 2015

Hank Williams marcou profundamente a geração country da música dos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950. Seu sucesso profissional, no entanto, acobertava seus abusos com álcool e com medicamentos para controlar suas dores nas costas – responsáveis por sua morte, com apenas 29 anos. I Saw the Light busca traçar um panorama geral deste ícone, mas comete gafes absurdas e acaba sendo frustrante desde os primeiros minutos.

O filme começa com Williams (Tom Hiddleston) casando com Audrey (Elizabeth Olsen) dentro de um posto de combustível no Alabama. Tão logo suas músicas começam a fazer sucesso em todo país, o cantor passa por uma série de desafios pessoais – com o peso de agradar a seus familiares, agentes e a si mesmo. O problema fundamental está na forma com que o roteiro foi construído. Teoricamente, a vida de Hank foi moldada a partir de Hank Williams: The Biography, escrito por Colin Escott em um trabalho monumental que reuniu dezenas de entrevistas e relatos de amigos e familiares. A adaptação do diretor Marc Abraham, no entanto, prefere seguir o padrão da linha cronológica, onde a cada dois anos temos uma determinada cena que busca refletir os altos e baixos da carreira, como o primeiro sucesso, seu relacionamento com as mulheres, suas dores nas costas e o consumo de álcool. O fato é que tal decisão compromete qualquer tentativa de aprofundamento – ainda mais quando a narrativa é intercalada com uma série de entrevistas que buscam deixar o filme no estilo documental. O efeito é o inverso, aproximando-se da paródia, o que é uma pena, já que o alvo da análise é um lendário cantor que tem clássicos cantados até os dias atuais.

A atuação de Tom Hiddleston é extremamente teatralizada, como se o sofrimento de seu personagem estivesse atrelado a uma expressão facial fechada. No entanto, a seleção de músicas é boa, e a interpretação delas pelo ator é feita de forma consistente – no único destaque positivo de todo o filme.

Outro ponto que não pode se deixar de lado é que o Hank Williams deste longa é apresentado como uma pessoa solitária, praticamente sem amigos, o que dificulta muito para o público ter uma noção exata do tamanho da fama do cantor em seu auge – mesmo que esse caso esteja restrito especialmente ao público de fora dos Estados Unidos. Além disso, não abre o mínimo de espaço para discutir o legado do cantor e sua influênca.

I Saw the Light estreou no Festival de Toronto do último ano com dezenas de críticas negativas. Como é de praxe, isto afetou o lançamento no mercado americano, que teve breve passagem pelos cinemas da costa leste do país – e apenas agora é lançado on demand. Marc Abraham tinha um excelente material base, mas preferiu o caminho fácil e agora deve arcar as consequências de suas escolhas.

NOTA: 4/10

IMDb

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