La loi du marché (O Valor de um Homem) – 2015

La loi du marché (O Valor de um Homem, no Brasil) é um filme poderoso! Graças a uma atuação inesquecível de Vincent Lindon – premiada em Cannes – o diretor Stéphane Brizé apresenta uma produção que é capaz de gerar discussões desde seu contexto amplo, de crise econômica mundial, até o drama pessoal vivenciado diariamente por milhares de pessoas em busca de um emprego (ou uma recolocação no mercado de trabalho, como é o caso).

Thierry (Vincent Lindon) recentemente foi demitido da fábrica em que trabalhava. Ele é um homem tímido, que não liga muito para sua aparência e que luta para sustentar o padrão de vida de sua família. O baque sentido pela demissão fica claro desde a primeira cena, e segue até o homem conseguir um novo trabalho.

O filme apresenta uma interessante divisão no roteiro, com um objetivo fixo bem claro – em torno de Thierry – e com um foco secundário voltado para seus problemas pessoais, especialmente em torno de seu filho, que sofre de problemas mentais. O protagonista acaba empregado como segurança de um grande supermercado – um trabalho que ele odeia, por ter de julgar e humilhar pessoas que roubam, não diferenciando o delito casual da necessidade de cometer tal ato.

A excelente impressão causada pelo filme fica ainda mais evidente quando direcionamos nosso olhar para a figura de Thierry. Ele tem poucas linhas de diálogo, e raramente sobe o tom de voz. O que chama a atenção do espectador são as tomadas que refletem suas reações faciais, que deixa claro sentimentos que passam do ódio ao desprezo. Ao invés de se moldar e se transformar em um homem ‘perfeito’ para as empresas, ele busca apenas algo simples, que é ser ele mesmo, sem máscaras, uma tarefa que se torna complicada e que vira alvo de chacotas.

A crítica social embutida me fez lembrar de alguns clássicos do neorrealismo italiano. A miséria na vida de Thierry não é pela falta de dinheiro, até pelo fato de conseguir um trabalho antes do fim de seu seguro social, mas sim pela posição que passa a ocupar. Ele não gosta – e não se acha preparado – para ser o juiz e decidir a pena das pessoas que roubam os produtos de sua loja. Um caso que envolve uma colega de trabalho destaca sua rejeição ao posto.

La loi du marché é mais um exemplo de um longa com uma ótima estruturação mas que sofre pela falta de um público interessado o suficiente para justificar sua distribuição internacional. O fato indiscutível é que o longa faz uma excelente análise do mundo em tempos de crise, onde um trabalho significa tudo.

NOTA: 7/10

IMDb

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