The Survivalist – 2015

The Survivalist é um filme extremamente competente sobre um tema que cada vez mais ganha adeptos. Em meio a um cenário pós-apocalíptico, a produção dirigida por Stephen Fingleton destaca-se por não oferecer qualquer perspectiva de mudança. para seus personagens. A palavra chave é sobreviver.

Martin McCann interpreta o personagem que inspira o título do filme. O primeiro quarto do filme, sem uma linha de diálogo, dá uma boa dimensão do isolamento. Não descobrimos o nome do homem, mas presenciamos sua luta para vencer os desafios do cotidiano. Uma casa completamente protegida, uma pequena horta de subsistência e armadilhas (que servem tanto para animais quanto para humanos que se atrevem a tentar chegar perto de sua área). Em uma sociedade perdida, as páginas da Bíblia só servem para dar vida às chamas, e as fotos trazem memórias de lembranças que podem machucar. Certo dia, duas mulheres – Kathryn (Olwyn Fouere) e sua filha, Milja (Mia Goth) – aparecem em sua porta pedindo comida. Após anos de masturbação, o homem aceita a oferta de dividir seus alimentos em troca de sexo, o que pode colocar em risco sua própria segurança.  

Fingleton teve identidade própria ao construir seu roteiro, e merece créditos por isso. The Survivalist não precisa de nenhum apoio secundário, nem visa prestar tributo aos longas clássicos de seu gênero. As imagens chocantes são a prova disso. Não existe nenhuma linha definida para a história, e esse desenrolar torna-se especial a medida que o próprio espectador é convidado a antecipar os passos do homem e das duas mulheres. Neste sentido, existe um tom misterioso em torno de ambas – também notado pelo personagem de McCann. Será que elas estão ligadas a algum outro grupo de sobreviventes? Será que elas vão matar o homem? Será que Milja pode criar um sentimento de amor?

The Survivalist também é um belo exemplo de sucesso na contenção de custos. O resultado é surpreendente para um filme com orçamento de menos de três milhões de dólares. A floresta dá espaço para uma fotografia segura, que busca jogar com o alto contraste do verde para mostrar que não existe uma saída mágica, a vida começa a partir da plantação. O homem aos poucos conta detalhes de sua história pessoal, que também deixa um pouco mais claro o contexto em que o caso se passa. Discussões sobre lealdade e confiança tomam conta dos minutos finais. Mais uma vez somos convidados pelo diretor a nos colocarmos no papel de todos os personagens – julgando suas atitudes e nos questionando se teríamos coragem para fazer o mesmo.

*Agradeço a produtora Fyzz Facility Film One pelo screener recebido via IMDb que possibilitou a análise deste filme.

NOTA: 6/10

IMDb

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