Backtrack (Visões do Passado) – 2015

Não é segredo que The Sixth Sense, de M. Night Shyamalan, inspirou uma geração inteira de roteiristas e diretores. Assistimos ao resultado disso hoje, com um número cada vez maior de thrillers que apostam em tomadas finais de impacto, que busquem desafiar o público. Teoricamente, Backtrack (Visões do Passado) é mais um filme que se enquadra nesta categoria. O problema é que longa dirigido por Michael Petroni tem uma fórmula de suspense ultrapassada e extremamente previsível, despejando na tela clichês que irritam profundamente o público.

Peter Bower (Adrien Brody) é um psiquiatra que começa a ver pessoas mortas, como o seu mentor (Sam Neill). Ele não consegue se recordar de um fato de sua vida que ocorreu em 1987, e, após uma estranha menina (talvez fruto de uma péssima homenagem à Don’t Look Now) entregar um papel com uma data para Peter, ele busca seu pai para solucionar o caso, que envolve um acidente de trem ocorrido em 1987 que matou mais de quarenta pessoas.

O roteiro é contado tomando como certeza que o espectador irá comprar todas as balelas apresentadas nos minutos finais. Como exemplo: 1) Peter passou a ter este trauma após perder sua filha; 2) de uma hora para outra sua memória, outrora frágil, torna-se chave para compreender o caso; 3) seu pai tem mais envolvimento do que ele imagina e 4) a polícia atua como uma alegoria no mundo em que o longa é ambientado, dado o teor das cenas finais. Nada disso é novidade, mas Backtrack falha miseravelmente ao tentar passar credibilidade através de cenas que buscam reconstituir o passado com os olhos do presente.

O descuido com os efeitos especiais e a tentativa de vender cenas de terror baratas (como os tradicionais sustos de pessoas mortas) ressaltam a falta de qualidade do filme, que nunca deveria ter saído do papel. O desenrolar do filme é precário, sem qualquer espécie de questionamento sobre quem era Peter, ou mesmo sobre seu contexto pessoal, que é trabalhado de forma muito superficial apenas para dar pretexto para um punhado de tomadas sem sentido. A produção australiana buscou em Brody seu garoto propaganda para a almejar a distribuição mundial – o que, de fato, deu certo. Após vencer o Oscar de melhor ator por conta de sua brilhante atuação em The Pianist, Adrien nunca mais conseguiu se destacar em um filme como protagonista. Dentre todas as seleções questionáveis de sua carreira desde 2002, Backtrack é, sem dúvida alguma, a pior delas.

NOTA: 2/10

IMDb

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