The Intern (Um Senhor Estagiário) – 2015

Robert De Niro é um ator que não se preocupa com seu legado. Ainda assim, The Intern (Um Senhor Estagiário, no Brasil) não deve servir como base para seus estrondosos fracassos recentes, já que é uma comédia eficiente, já que tem uma história simpática e uma boa união entre os protagonistas.

Ben Whittaker (De Niro) é um cavalheiro. Viúvo e cansado da monótona vida de aposentado, ele decide preencher a vaga de estagiário oferecida pela empresa de venda de roupas criada por Jules Ostin (Anne Hathaway) para a terceira idade. Em uma análise inicial, o comportamento dos dois é o oposto perfeito: Ben prefere fazer as coisas com calma, e tem tempo suficiente para curtir sua vida; Jules, ao contrário, é a verdadeira definição de workaholic, com pouco tempo para sua família, já que o crescimento de suas vendas foram muito acima de sua projeção. Ben destaca-se em meio a uma multidão de jovens, apesar de seu estilo retrógrado, e é chamado para ser auxiliar de Jules. Aos poucos, ele entra no dia a dia da empresa, que vive uma tensão pela iminente busca de um CEO para ajudar no progresso das vendas, e passa a se tornar braço direito de Jules.

O roteiro desenvolve subplots que, infelizmente, são vazios e servem apenas para tapar buracos. Ao invés de uma construção mais formal, é fato que as comédias apostam em situações simples e um tanto quanto improváveis para avançar rapidamente e ter mais tempo para piadas e para o foco no tema central. The Intern não foge à regra, e, por exemplo, o contato entre Ben e Jules ocorre graças a um tropeço do motorista, que bebe no trabalho e depois simplesmente desaparece. Um recurso básico de roteiro, mas que acaba deixando o filme com essas pequenas arestas abertas. Do lado pessoal, o filme explora a vida amorosa dos dois, seja no caso de Ben com a terapista da empresa (Rene Russo) ou de Jules com seu marido, que abdicou de sua carreira para cuidar da filha enquanto a mulher trabalha – o que causa um desgaste na relação.

O ponto alto do filme, no entanto, está na mensagem que propõe desenvolver sobre a relação dos idosos com a geração digital. Através da figura de Ben, tenho certeza que milhares de espectadores se inspiraram a pelo menos tentar mexer em um computador, ou mesmo arriscar o uso do celular. Essa poderosa ferramenta que o cinema oferece jamais pode ser deixada de lado – e é isso que faz a sétima arte tão especial.

Por ser um filme de rating PG-13 nos Estados Unidos, as piadas sexuais ficam em segundo plano (mas elas existem, são sem graça e ultrapassadas). O importante é observar como o longa dirigido por Nancy Meyers não precisa delas para se sustentar, já que a fórmula do sentimentalismo geralmente tem uma recepção bem melhor, seja dos adolescentes aos idosos.

Apesar do imenso sucesso de bilheteria – mais de 200 milhões de dólares em um orçamento de 35 milhões – fora várias avaliações positivas de nomes como Quentin Tarantino, The Intern teve um lançamento em Blu Ray decepcionante, com uma versão com menos de quinze minutos de conteúdo adicional (que deve servir como pretexto para a Warner lançar uma versão especial em breve). É um filme que diverte seu público alvo, mas fica preso nos tradicionais melodramas envoltos no gênero de comédia produzidos nos Estados Unidos.

NOTA: 6/10

IMDb

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