The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared – 2013

O cinema nórdico tem um toque de humor refinado. O sueco destaca-se pelo acentuado uso de casos que misturam o real com o bizarro, e aproveita-se disto para surpreender a todos. Em 2014, Force Majeure conseguiu levar boas bilheterias até mesmo nos Estados Unidos, que tem um histórico problemático com filmes legendados. Desde o final de 2015, a atenção agora é de Hundraåringen som klev ut genom fönstret och försvann (distribuído mundialmente com o título The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared), merecidamente indicado ao Oscar de melhor maquiagem e cabelo.

O título – um tanto quanto estranho – é facilmente compreensível, pois ocorre nas primeiras tomadas. O problemático Allan Karlsson’s (brilhantemente interpretado por Robert Gustafsson) pula da janela e foge da casa de idosos em que estava alojado justamente no dia de seu centésimo aniversário. Com algumas moedas, ele parte para a rodoviária e compra uma passagem para um vilarejo que conta com apenas uma grande residência. Antes de entrar no ônibus, ela pega uma mala recheada com milhões de coroas suecas de um membro de uma gangue de motoqueiros. A partir daí, a história toma dois rumos: o primeiro trata sobre o futuro do simpático senhor, em busca de liberdade; o outro diz respeito aos bandidos em busca da maleta com o dinheiro.

Karlsson tem uma história pessoal fantástica. Ele se envolveu com ditadores como Franco e Stálin e foi duplo espião de Reagan e Gorbachev durante a Guerra Fria. Mesmo com temas tão duros, o diretor Felix Herngren, que adaptou o roteiro da obra homônima de Jonas Jonasson, consegue tirar ótimas piadas – como uma passagem muito interessante sobre o muro de Berlim, por exemplo. O protagonista da história é aquele tipo de homem que muda o mundo sem perceber. Foi ajudante de J. Robert Oppenheimer, amigo de trago de Harry Truman e parceiro de prisão do irmão de Albert Einstein, capturado por engano pela KGB. A honestidade e a pureza do homem centenário lembra bastante o personagem de Bruce Dern em Nebraska, e o espectador pergunta-se: será que o coração do idoso realmente não tem espaço para um pingo de malícia?

O interessante de tudo isto é que, mesmo recheado de flashbacks, a história principal não fica de lado. Obviamente existe a aposta básica de uma série de clichês (restritos, neste caso, aos tradicionais dos países nórdicos, como acidentes casuais e um personagem que pensa estar certo mas que está completamente errado – no filme, o inspetor responsável pela investigação do desaparecimento).

Fortemente inspirado em Forrest Gump (talvez uma resposta típicamente sueca), o longa teve o status de superprodução e bateu todos os recordes de bilheteria em seu país, ficando na frente até mesmo de clássicos de Bergman (mesmo com o ajuste da inflação). A aposta em casos históricos de grande importância para o decorrer do último século e a permissão para explorar o lado cômico destas situações tornam The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared um bom filme dentro de seu gênero. A espetacular maquiagem é apenas um bônus.

NOTA: 7/10

IMDb

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