Trumbo (Trumbo: Lista Negra) – 2015

Dalton Trumbo tem uma história fantástica em Hollywood. Boa parte das controvérsias em sua longa carreira é alvo de análise de Trumbo (Trumbo: Lista Negra, no Brasil). A impecável direção de arte e a brilhante atuação de Bryan Cranston dão corpo ao filme dirigido por Jay Roach, que comete o pecado de não saber distribuir o tempo de exibição – e, consequentemente, omitir os anos finais da carreira de Trumbo.

O foco do filme está na análise do período da Hollywood Blacklist, buscando mostrar como Trumbo (Cranston) teve que lidar com a pressão por ser um comunista. Em 1947, o roteirista que já era famoso nos Estados Unidos por conta de seu trabalho na década anterior, foi pressionado a depor no Comitê de Atividades Antiamericanas, que mostrava preocupação com a influência dos comunistas no cinema dos EUA. Após Trumbo e outros nove roteiristas (conhecidos como Hollywood Ten) se negarem a responder as perguntas do órgão, eles foram condenados pelo Congresso por obstrução e serviram penas que variam de seis meses até um ano.

Após cumprir seu tempo na cadeia, Trumbo teve outro problema: dinheiro. Após viver anos como milionário graças a contratos fartos com MGM e Paramount, o roteirista sentiu na pele as restrições impostas aos comunistas – Ronald Reagan e Richard Nixon davam seus primeiros passos na política americana neste período. No filme, a colunista social Hedda Hopper (Helen Mirren) atua junto do líder do Sindicato dos Atores, John Wayne (David James Elliott) para evitar que qualquer um dos ex-comunistas volte a trabalhar em Hollywood.

O filme distancia-se da realidade em certos momentos (como em diálogos falsos atribuídos à Edward G. Robinson), mas dá um bom panorama sobre como Trumbo vendeu roteiros de 100 páginas feitos em três ou quatro dias por uma quantidade de dinheiro suficiente para manter sua família. O longa trata sobre os casos de Roman Holiday e The Brave One, escritos por Trumbo e vencedores do Oscar de melhor roteiro. No primeiro caso, Dalton usou seu amigo, Ian McLellan Hunter, para vender os direitos para a Paramount. No segundo, Trumbo criou o pseudônimo de Robert Rich.

A base do roteiro foi duramente criticada tão logo o projeto foi anunciado. A biografia escrita por Bruce Cook, duramente criticada no período de publicação, conta a história através de relatos de terceiros e não faz, de forma alguma, um trabalho criterioso na seleção de fontes– fica o aviso para quem for comprar o livro no Brasil, lançado junto do filme. Cook não teve o cuidado de mediar o discurso de Trumbo, portanto não foi atrás para ouvir o outro lado, tornando sua obra em um trabalho de defesa do legado do roteirista e de ataque à Hollywood.

Ainda assim, o bom elenco secundário dá vida a um número incrível de estrelas do cinema. Kirk Douglas e Otto Preminger também foram citados, já que Trumbo trabalhou tanto em Spartacus quanto em Exodus. O desenrolar da história é agradável, e a quantidade de detalhes que rodeiam as décadas analisadas é de chamar a atenção. O filme tem como trunfo a crítica aberta aos anos negros de Hollywood – onde as pessoas eram acusadas apenas por desconfiança. A forma como a história é trabalhada, no entanto, não permite uma análise geral do sucesso do roteirista (não custava nada mencionar que ele também esteve por trás dos sucessos de Papillon e até mesmo sentou na cadeira de diretor em Johnny Got His Gun).

Apesar de fracassar no objetivo de ser um dos protagonistas no Oscar 2016 e de ter uma bilheteria muito abaixo do esperado, Trumbo é o passo inicial da parceria de Cranston com Jay Roach – que devem lançar All The Way na metade deste ano.

NOTA: 8/10

IMDb

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