The Program – 2015

Para um filme que tem como pano de fundo o ciclismo, The Program é uma ótima amostra do quanto o cinema evoluiu nos últimos anos. Com tomadas maravilhosas das competições da Volta da França, o filme se destacaria facilmente se não fosse por um detalhe: o homem foco da análise, Lance Armstrong. Fazer a cinebiografia de uma pessoa viva é um problema que afeta diariamente Hollywood. Os produtores sabem, no entanto, que é mais lucrativo tentar colocar a história no cinema o quanto antes, já que existe toda uma mobilização em torno de figuras deste calibre. Recordo com precisão o dia que Armstrong venceu sua sétima Volta da França, em 2005. Acompanhei a transmissão da premiação, e fiquei bastante surpreso quando a mídia abraçou o termo ‘o maior esportista de nossa geração’, tanto nos EUA quanto na Europa. O fato é que Armstrong teve uma vida recheada de controvérsias, mas, ao mesmo tempo, serviu de inspiração para milhares de pessoas, pelo fato de ser sobrevivente de um câncer de testículo.

O filme dirigido por Stephen Frears segue todos os altos e baixos da carreira do estadunidense, cobrindo seu primeiro Tour, seu câncer, as vitórias consecutivas e a queda. Em meio a tudo isso, o refinado programa de doping, certamente o mais discutido e analisado, seja na Academia ou na mídia.

Ben Foster interpreta Armstrong, e é o principal destaque de um filme bastante problemático. Sua boa atuação (e a semelhança com o ciclista, graças a uma maquiagem bastante competente) torna-se no principal motivo para assistir The Program. Apesar de ter como base para o roteiro o livro de David Walsh (o jornalista responsável pela investigação inicial sobre os casos de doping de Lance, no filme interpretado por Chris O’Dowd), o filme peca em uma péssima edição.

Frears trabalha através de recortes, o que impede uma sequência natural de sua história. Por este motivo, ele acaba se tornando refém das legendas para identificar o local e a data de determinado evento. The Program, neste sentido, acaba sendo prejudicado pelo fato de querer abocanhar tudo de uma vez só.

É a procura desesperada pela ascensão e queda de Armstrong não dá espaço, por exemplo, para uma análise concreta do perfil do ciclista, deixando a imagem de que ele era apenas um egomaníaco, louco por vitórias. Será que é tudo tão fácil? O ponto positivo é a ambientação interessante, desde patrocinadores da época até mesmo nomes de personagens envolvidos na grande farsa, como Bob Hamman (Dustin Hoffman, em duas breves cenas).

A simplificação brutal de uma história tão detalhada e bem conhecida do grande público torna The Program em uma grande decepção.

NOTA: 6/10

IMDb

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