The Danish Girl (A Garota Dinamarquesa) – 2015

Lili Elbe teve uma vida extraordinária. Pioneira na cirurgia de redesignação sexual, ela lutou até seus últimos dias pelo que acreditava ser justo. The Danish Girl (A Garota Dinamarquesa, no Brasil) consegue a proeza de colocar no lixo toda esta batalha para romantizar de maneira porca e desajeitada a história ao estilo Hollywood século XXI. Tom Hooper, vencedor do Oscar com o premiado The King’s Speech, tem experiência o suficiente para saber que existe uma fina linha entre o fracasso e o sucesso nos filmes biográficos. É por este motivo que não consigo entender o fato do diretor querer explorar uma imagem completamente abstrata de uma mulher tão importante para sua causa.

Einar (Eddie Redmayne) e sua mulher, Gerda Wegener (Alicia Vikander), desfrutam da Copenhaga da década de 1920. Com um atelier pronto para registrar belas paisagens da Dinamarca e da Europa, aos poucos Einar começa a se sentir à vontade em trajes femininos. Gerda inicialmente incentiva a ação, mas passa a se preocupar quando vê a identidade de seu marido ficar para trás. Com uma profunda confusão mental em sua cabeça, sua transição para Lili é lenta e gradual. E é na figura feminina que ela redescobre a alegria de viver.

A base equivocada de The Danish Girl começa na seleção da péssima ficção homônima escrita por David Ebershoff, selecionada como base para o roteiro. O autor tem como objetivo final desconstruir por completo a personalidade de Elbe e criar laços imaginários com sua esposa (que, na vida real, se divorciou de Einar logo quando descobriu sua vontade de trocar de sexo). O típico caso em que a vida real serve apenas como pano de fundo para gerar algo que dê dinheiro.

Ao invés de afirmar a certeza de Elbe – e sua luta diária para sustentar sua posição em uma sociedade fechada e conservadora – os roteiristas aceitaram passivamente a ideia de manter um elo machista dominador. Quando Einar sai de cena, um negociador de arte francês, Hans Axgil (Matthias Schoenaerts), aparece para confortar sua esposa e vira o elemento racional da trama. Ou seja: Elbe era uma coitada que mal sabia o que estava fazendo.

Toda a construção da história de The Danish Girl faz o filme se parecer com uma versão incrementada do cult classic de Ed Wood Glen or Glenda, um dos piores longas da história do cinema. A indefinição do seu personagem quanto ao seu sexo e o foco na captação de cenas com ênfase no rosto de Redmayne deixam a credibilidade de lado. Vencedor do Oscar no último ano, Redmayne, por sinal, não tem culpa do fracasso deste filme. Ele mostra uma ótima presença, dominando a atenção do espectador, o que comprova que os produtores realizaram uma excelente escolha. Ainda assim, sua atuação não é o suficiente e não apaga o registro negativo de um longa que tinha expectativas imensas ao seu redor, mas que não soube capitalizar o básico. Em suma, The Danish Girl é uma realização que tenta inverter valores e chega ao cúmulo de criar uma história falsa para escorrer uma lágrima de sangue antes da rolagem dos créditos finais. Drama barato do mais baixo nível.

NOTA: 4/10

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