The Big Short (A Grande Aposta) – 2015

Em março de 2010, o aclamado jornalista e analista financeiro Michael Lewis lançou nos Estados Unidos o livro The Big Short: Inside the Doomsday Machine, que conseguiu a proeza de se manter por sete meses na lista dos bestsellers do The New York Times (um fato extremamente raro para livros que tratam sobre economia). No mesmo ano, o documentário Inside Job encheu cinemas ao redor do mundo. O motivo é bastante simples: as pessoas buscam entender a origem da crise financeira do início deste milênio. Desemprego, queda de renda, desgraça. Tudo isto surgiu de uma hora pra outra? Será que ninguém previu isto? É justamente em cima deste público sedento por informação que The Big Short (A Grande Aposta, no Brasil) busca sua sustentação. Dirigido e adaptado por Adam McKay, o extraordinário sucesso desta produção está justamente na simplicidade ao tratar de temas duros e complexos, sem medo nenhum de lidar com situações do cotidiano para auxilar o público a compreender de fato tudo o que corria meses antes do caos na economia mundial.

O pano de fundo é o mesmo do que Inside Job, mas a perspectiva é completamente inversa. Enquanto o documentário trazia uma discussão séria e fechada sobre os grandes bancos e investidores que quebraram o sistema financeiro, fazendo uma análise de cima para baixo (ou seja, como as ações irresponsáveis do Lehman Brothers e cia caíram nas costas dos trabalhadores), The Big Short trata de várias histórias paralelas abraçadas no mesmo contexto, tratando de baixo para cima (neste sentido, sobre como alguns investidores desafiaram a lógica e a ganância de grandes bancos mundiais, de Wall Street e das agências de ratings).

Logo nas primeiras cenas, podemos notar o tom do filme, que exagera na quebra da quarta parede. Jared Vennett (Ryan Gosling) nos explica que, na década de 1970, dificilmente alguém conseguia fazer muito dinheiro em Wall Street. Muito diferente do que estamos acostumados a ouvir atualmente, não é? Isto ocorre graças a desregulação do mercado americano, acentuada na presidência de Ronald Reagan. Vennett então mostra como o problemático sistema de crédito hipotecário (baseado em subprimes), ao mesmo tempo que tornava milhares de pessoas milionárias do dia para a noite, criou uma imensa bolha no solo americano. Michael Burry (Christian Bale) lidera um fundo de investimento e é respeitado pela sua dedicação ao trabalho. Muito antes de se especular sobre uma crise financeira, ele desconfia dos empréstimos atrativos e da facilidade com que os estadunidenses se endividavam. Burry foi um dos primeiros homens a apostar contra o sistema através de grandes operações de CDS (credit default swap) no setor imobiliário, outrora considerado o mais sólido de seu país. Em outra ponta, Mark Baum (Steve Carell), luta conta as práticas antiéticas de Wall Street e é convencido por Jared Vennett (Gosling) a apostar contra os bancos, que faziam operações ridículas de MBS (mortgage-backed security) para aumentar seus lucros. Em meio a todos estes ‘grandes jogadores’, o veterano Ben Rickert (Brad Pitt), aceita voltar a ativa para auxiliar dois jovens investidores (John Magaro e Finn Wittrock), que também chegaram a conclusão de que o capitalismo entraria na maior crise de sua história.

Por mais que os termos técnicos possam assustar, o filme faz um trabalho brilhante em debulhar cada um dos tópicos. Por este motivo, textos são acrescentados na tela, Gosling fala diretamente com o público e até mesmo Selena Gomez ajuda a explicar a complexidade das operações que envolviam os bancos – e como pessoas como Burry e Baum buscavam lucrar em cima da estupidez dos mesmos. O trabalho de edição é primoroso, e assim como em Spotlight, o diretor e os produtores merecem crédito por saber manter o elenco coeso, sem nenhum personagem de grande destaque. Isto torna o longa dinâmico, e desafia o espectador a montar o quebra cabeças jogado na tela.

The Big Short não é, e nem busca ser um filme definitivo sobre a crise financeira. O que é apresentado no longa de McKay é apenas uma dentre tantas histórias interessantes no período pré-crise. O toque leve e bem humorado, mesclando até mesmo traços de documentário, simplifica, informa e diverte.

NOTA: 9/10

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The Big Short
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