Steve Jobs – 2015

Steve Jobs é uma das mentes mais aplaudidas da transição do século XX para o XXI. A Universal investiu pesado na compra dos direitos da biografia feita por Walter Isaacson, e apostou em um filme que investe na análise do homem por trás do Macintosh e do iMac, que passou a ser alvo de culto por ser a grande alternativa frente a Microsoft. Após Leonardo DiCaprio e Christian Bale rejeitarem o roteiro adaptado de Aaron Sorkin, o diretor Danny Boyle ofereceu o papel principal para Michael Fassbender. Em uma análise geral, essa decisão teve dois lados: o ponto positivo foi dar espaço para a presença de um ator de alto nível, que cresce a cada ano e aos poucos confirma que é um dos grandes nomes de Hollywood. No entanto, Fassbender está longe de ser um ator de peso como Leo e Bale, que carregam público ao cinema apenas pelo fato de estrelarem um determinado filme. E essa é, em parte, a explicação para o péssimo desempenho de bilheteria de um bom retrato geral sobre o fundador da Apple.

A história divide-se em três atos: a partir da análise dos bastidores do anúncio do Mac,  NeXT Cube e do iMac, o objetivo geral é dar pinceladas sobre a forte personalidade do visionário. Como seu braço direito, Joanna Hoffman (Kate Winslet) tem a tarefa de mediar conflitos, como, por exemplo,  os problemas do fundador da Apple com sua filha. A brilhante presença de Fassbender merece todo o tipo de aplausos de pé. Após roubar a cena em Macbeth, o ator é o centro as atenções pela qualidade de sua atuação e não apenas pelo fato de interpretar Jobs.  Winslet dá um ótimo suporte, mas o filme também batalha com situações contraditórias. Wozniak (Seth Rogen) passa todo o tempo implorando por uma menção à equipe por trás do Apple II; além disso, Boyle não faz o mínimo esforço para desvincular a imagem de John Sculley (Jeff Daniels) daquela propagada pela mídia como a do homem que demitiu o criador de sua própria marca. O pior é que este diálogo toma lugar no filme.

Quem leu a biografia de Isaacson vai notar uma série de detalhes omitidos (ou transformados apenas pelo ‘entretenimento’). Mesmo assim, não tenho a mínima dúvida de que a versão de Boyle é infinitamente superior ao longa de 2013 dirigido por Joshua Michael Stern, com Ashton Kutcher como protagonista. Ao comparar os números de bilheteria, chega-se a conclusão de que as duas versões arrecadaram praticamente a mesma quantia (na casa dos 30 milhões de dólares). O problema é que Stern teve um pequeno orçamento (13 milhões) frente aos 30 milhões investidos pela Universal. Mesmo que tenha bons números no home-video, o filme está longe de ser o sucesso de bilheteria imaginado por todos os executivos da distribuidora. Outro fator que pode ter influenciado é justamente a pouca distância do lançamento destes dois filmes. Ainda que o pano de fundo seja praticamente idêntico, apenas a mudança no eixo de abordagem não é o suficiente para convencer o espectador casual a ir no cinema. Além disso, apesar de bastante interessante, a divisão em apenas três momentos da vida de Jobs (om alguns flashbacks, pode decepcionar até mesmo os fãs da marca da maça.

NOTA: 7/10

IMDb

 

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