Concussion (Um Homem Entre Gigantes) – 2015

Concussion (Um Homem Entre Gigantes) é um docudrama que mostra desde a primeira cena sua ambição de ser um marco entre os filmes de seu gênero. Ao colocar a NFL no alvo e denunciar a passividade da liga perante as sérias lesões que o esporte pode causar, propõe-se ao público uma profunda discussão sobre moral e ética.

O roteiro foi baseado no popular artigo ‘Game Brain’. O longa começa abordando sobre a vida de Mike Webster (David Morse). Após entrar para o Hall da Fama, em 1997, ele começa a ter sérios problemas de comportamento. Para quem não acompanha futebol americano, deve-se dizer que este homem atuou pelo Pittsburgh Steelers (1974 até 1988), sendo um herói local, com quatro vitórias em Super Bowl.

Em 2002, Webster morre e seu corpo vai parar nas mãos de Bennet Omalu (Will Smith), patologista forense que diz ‘dar voz aos mortos’. Imigrante vindo da Nigéria, ele segue vida em Pittsburgh, batalhando para viver o sonho americano. Após os exames não apontarem nenhum tipo de problema visível, ele decide pagar 20 mil dólares para um scan no cérebro de Webster. É então que ele descobre que o jogador apresentava lesões de extrema gravidade por conta das pancadas recebidas no futebol, e alia-se ao seu chefe, Cyril H. Wecht (Albert Brooks), e ao ex-médico da NFL, Julian Bailes (Alec Baldwin), para mostrar ao mundo que a chronic traumatic encephalopathy (CTE) deve ser debatida urgentemente.

Assim como em seu filme anterior, Parkland, o diretor Peter Landesman faz uma série da apostas controversas: a primeira delas diz respeito ao roteiro. A aposta cega pela história a partir de um único ponto de vista é extremamente problemática. Ora, é inquestionável a importância dos estudos e da colaboração de Omalu. No entanto, o filme tenta jogar goela abaixo a visão de um herói contra poderosos e maldosos vilões. Para completar o problema, Landesman se prende muito no pensamento de mostrar a história ‘da maneira nua e crua’ – como ele próprio citou recentemente ao The New York Times. Se em Parkland, Kennedy foi morto de acordo com o livro de Vincent Bugliosi (problemático em dezenas de questões chave), em Concussion, o mesmo diretor inverte sua perspectiva e dá lugar a uma narrativa contada a partir da visão oprimida – algo que causa estranhamento.

Will Smith mostra classe ao dar vida ao especialista nigeriano. Após uma série de péssimos filmes, o ator tenta voltar as raízes ao fazer o diferente. Neste caso, é notório sua dedicação para criar um sotaque típico de um estrangeiro nos EUA, com erros de composição de frases e pronúncia (bem diferente do Omalu da vida real, diga-se de passagem). Aproveitando de sua imagem, o filme obviamente explora constantemente seu personagem por todos os meios possíveis, o que é compreensível.

Como base pra documentário, a história de Omalu é de extrema importância e merece ampla discussão entre os acadêmicos, a mídia e o público consumidor do futebol americano. Mas, como obra cinematográfica, Concussion não oferece nenhuma possibilidade aberta de diálogo, preferindo ocultar uma série de informações relevantes para abrir a história em torno de seu personagem principal e de suas saídas de roteiro.

NOTA: 7/10

IMDb

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