Anomalisa – 2015

Que fique claro: 2015 foi o ano das animações! Basta olhar para os indicados ao Oscar desta categoria para perceber a qualidade de todos estes filmes, sem exceção. Anomalisa é perfeitamente executado em stop-motion e tem a marca de Charlie Kaufman, especialmente da distinção do protagonista.

Michael Stone (voz de David Thewlis) é um respeitado guru na questão de atendimento ao cliente. Ele viaja para Cincinnati para apresentar uma conferência na manhã seguinte. A partir daí, uma história contada com a perfeição e detalhe de Kaufman: ele se hospeda no Hotel Fregoli. Para compreender em cheio a mensagem de Anomalisa, deve-se entender o caso que dá nome ao hotel: o chamado ‘Delírio de Fregoli’ (Fregoli delusion) é uma síndrome raríssima na qual a pessoa acredita que todos os seres que estão em sua volta na verdade é uma só. Isto fica claro quando todas as pessoas ao redor de Michael tem a mesma voz, desde a sua mulher até o elenco da série que é exibida em sua televisão. Até mesmo sua ex-namorada, que ele reencontra na cidade, tem o mesmo tom de voz (todos personagens por Tom Noonan).

Durante a noite, ele encontra Lisa (Jennifer Jason Leigh), que veio para a conferência junto de sua amiga, Emily. Ela se torna a voz diferente nos ouvidos do homem, e existe uma atração desde a primeira troca de olhares. O que acontece em seguida não é incomum: Michael convida Lisa para dormir em seu quarto, onde os dois conversam, se beijam e fazem sexo (em uma cena ousada e surpreendente, que certamente fixa o nome de Anomalisa).

Poucos espectadores tem noção da dificuldade de produzir uma animação em stop-motion. Não é apenas o trabalho físico, mas também a criação de cenários e, especialmente, a edição que acabam tornando a jornada desgastante. Após arrecadar mais de 400 mil dólares no Kickstarter, o projeto de fazer um curta ficou de lado, e os produtores conseguiram financiamento suficiente para criar um projeto de 80 minutos, com o custo total de 8 milhões de dólares. O número torna-se surpreendente quando colocado ao lado do orçamento de 175 milhões de Inside Out – apesar da comparação ser injusta, pela diferença do púbico alvo.

Anomalisa foi a primeira animação da história a ser indicada ao Oscar com um rating R nos Estados Unidos. Isto é simbolicamente importante, pois rompe uma barreira que existia na aceitação de animações com temáticas maduras – algo que a Academia vinha aos poucos deixando de lado. No começo dos anos 2000, com o surgimento da categoria, existia a percepção que animação era sinônimo de filmes infantis. Isto ficou para trás. A produção abre uma excelente discussão sobre as escolhas que tomamos em nossa vida. O stop-motion não é uma barreira para contar uma história que poderia ser real, mas um elemento que aprimora a experiência, explorado de forma misteriosa e aberta.

NOTA: 8/10

IMDb

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