Mistress America – 2015

Noah Baumbach é um veterano do cinema independente. Em um mercado onde Hollywood trata de seduzir financeiramente as principais revelações, não se pode deixar de mencionar que a marca de vinte anos fazendo filmes com um orçamento limitadíssimo é bastante relevante. Mistress America é a mais recente colaboração do diretor com participação de sua favorita Greta Gerwig como roteirista e protagonista.

Brooke (Gerwig) é uma professora de spinning que sonha alto: com uma personalidade forte e que chama a atenção de todos, ela planeja abrir um restaurante (que também tem uma ala de salão de beleza e centro comunitário) e molda um programa próprio de televisão, Mistress America. Tracy (Lola Kirke) é uma jovem que planeja ser escritora. Preocupada com os anos iniciais da faculdade, ela busca um rápido reconhecimento. As duas se conhecem após o pai de Brooke decidir se casar com a mãe de Tracy, sendo que ambas dividem a responsabilidade pela organização de uma pequena festa no Dia de Ação de Graças. A partir daí, uma amizade de duas mãos se inicia: enquanto Brooke serve de referência para Tracy elaborar uma história – também entitulada Mistress America – para tentar entrar em um disputado clube literário, Brooke vê na jovem um apoio para consolidar seus planos.

A mulher interpretada por Gerwig é similar em alguns pontos com a personagem criada por Baumbach em Frances Ha para a atriz. Existe um senso de superioridade em alguns momentos, mas que também revelam o medo do amanhã devido as incertezas geradas pelo passar dos anos.

A forma com que Taylor é apresentada ao público mostra o conflito da geração X com a geração Y – ainda que Brooke tente manter o espiríto jovem e descolado a partir das redes sociais. O vocabulário é muito interessante, e a intimidade gerada em apenas dois dias é exposta de maneira satisfatória. Não é melhor apenas pela breve duração do filme (1h24min), que infelizmente compromete uma tentativa de estabelecer um perfil consolidado de cada uma das duas protagonistas. Baumbach errou a mão ao apostar quase metade de seu filme em uma longa tomara onde Brooke vai atrás de seu ex-marido pedir dinheiro. Toda a articulação da meia hora inicial do longa fica para trás para dar lugar a uma monótona rede de humor negro (completamente desnecessário) que busca tomar a atenção para pontos secundários do roteiro (Tracy no clube literário, Brooke reecontrando seu ex-marido casado com sua ex-melhor amiga, Tracy causando ciúmes na namorada de um colega de classe).

Neste sentido, Mistress America apresenta um bom potencial, mas carrega nas costas o peso das decisões erradas. O sentimento de um roteiro interessante mas de uma execução precária e mal planejada por focar demasiado justamente na personagem de Gerwig me parece uma explicação para o fracasso deste longa.

NOTA: 5/10

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Mistress America
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