Winter on Fire – 2015

Desde que entrou no campo de produções originais, a Netflix dá uma atenção especial aos documentários, prezando pela alta qualidade de seu conteúdo. Foi assim com The Square, foi assim com Virunga e agora tudo se repete novamente com Winter on Fire, que de dedica a análise da Euromaidan na Ucrânia.

Dirigido por Evgeny Afineevsky, a linearidade toma conta do projeto. Existe um interesse claro em fixar as datas, deixando claro quando, como e por qual motivo que milhares de pessoas ucranianas saíram as ruas para protestar contra seu governo, gerando uma violenta revolução com mais de uma centena de mortos. Os 93 dias de ocupação da praça Maidan, no coração de Kiev, são contados a partir de vídeos gravados por estudantes e pela imprensa internacional. A narrativa incluí a análise de dois casos particulares: o de um menino de doze anos, que não demonstrava medo de estar na linha de frente na batalha contra a polícia, e a de um estudante símbolo do movimento morto por um atirador.

Em ambos os casos, o diretor tenta humanizar a revolução, trazendo a tona as angústias, preocupações e desejos dos manifestantes. Do dono de comércio, passando pelo clero até chegar ao mais simples operário, a união em torno da Ucrânia ‘livre’ das mãos da Rússia é apresentada como a principal bandeira carregada nos turbulentos dias de 2013 e 2014. Sem criticar diretamente Putin, Afineevsky direciona seus ataques aos líderes ucranianos que tentaram fazer de tudo para conter a manifestação popular através do uso da violência, seja da polícia ou de gangues contratadas para tumultuar as reuniões.

A principal falha do documentário é tentar descontextualizar o Euromaidan da guerra civil em andamento no país. O espectador desatento, ou sem conhecimento do confronto, por exemplo, pode pensar que a revolução foi bem sucedida após a renúncia do presidente Yanukovych e a realização de novas eleições. Ainda que não se possa apontar culpados, ao remover completamente a Rússia (principal ator externo envolvido) desta análise, fica a impressão de que uma gigantesca lacuna ficou aberta, sem ser preenchida, contando a revolução através dos olhos dos manifestantes pró-União Europeia, o que está longe de ser considerado consenso naquele país.

Winter on Fire, ainda assim, tem seus bons momentos. Consegue captar a tensão e denuncia os crimes cometidos pela polícia, que variam de espancamentos sumários até assassinatos por tiros de sniper. Aposta da Netflix para o Oscar de documentário do próximo ano.

NOTA: 8/10

IMDb

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