Mississippi Grind – 2015

Mississippi Grind teria potencial suficiente para explorar o vício incontrolável pelo jogo. Infelizmente, por conta de decisões bizarras, o drama perde completamente sua credibilidade ao tomar um rumo irresponsável típico de filmes voltados ao público adolescente.

Gerry (Ben Mendelsohn) é um jogador de poker. Acostumado a fazer altas apostas, ele enfrenta uma maré negativa e deve para várias pessoas de sua cidade. Desesperado para encontrar uma solução, ele acredita que Curtis (Ryan Reynolds), simpático homem que ele encontrou em uma mesa de apostas, mudará sua sorte. Os dois combinam uma viagem pelos Estados Unidos para jogar em mesas de poker até quebrarem a banca.

É uma pena ver o que os diretores Ryan Fleck e Anna Boden fizeram com a história. O roteiro é cíclico – os amigos ganham e perdem dinheiro – mas a busca pelo controle do vício, que poderia diferenciar o filme e apagar o rastro de péssimas opções, como as que rondam as personagens de Sienna Miller e Analeigh Tipton (típicas prostitutas boazinhas e inocentes), fica completamente em segundo plano. Em determinados momentos, o guião é tão engessado que parece que ambos acabaram de entrar na escola de cinema e estão fazendo a tarefa de casa pedida pelo professor da cadeira de escrita.

As cenas finais tratam de enterrar de vez um filme extremamente mal articulado. Se antes eles eram perdedores, de uma hora pra outra Gerry e Curtis começam a ganhar centenas de milhares de dólares. Todo o enigma por trás do misterioso personagem de Reynolds, que poderia ser interessante e relevante para o desfecho da história, sequer é abordado.

Com mais perguntas do que respostas, Mississippi Grind é um filme aberto, no qual o espectador visa tirar suas próprias conclusões a partir da experiência criada ao decorrer do longa. As cinco tomadas finais são dignas de uma comédia pastelão ambientadas em um cassino. Clichês, clichês e mais clichês.

NOTA: 2/10

IMDb

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