Inside Out (Divertida Mente) – 2015

Quando você pensa que a Pixar chegou ao topo da montanha, lá vem a própria Pixar e aumenta seu insuperável nível de qualidade, estruturação e riqueza de conteúdo. Inside Out (Divertida Mente, no Brasil) divide com Toy Story 3 o posto de melhor animação deste início de século, sendo que o ponto em comum destas duas produções se resume a uma palavra: maturidade. Os diretores Pete Docter e Ronnie Del Carmen buscaram contar, em pequena escala, como a mudança de comportamento de uma criança pode afetar a todos que a amam. Ao trazer esta experiência da vida real para o público através de uma animação – assim como a despedida de Andy de seus brinquedos em Toy Story 3 – é bastante claro que cada um que sentiu o peso da mensagem também pode querer colocar tal análise em suas próprias vidas.

A história é dividida em duas. No mundo real, ela acontece em São Francisco, cidade em que a menina Riley acaba de se mudar com seus parentes. Dentro da cabeça de 11 anos dela, cinco emoções – alegria, tristeza, raiva, medo e nojo – tomam conta de uma espécie de centro de operações, onde decidem em conjunto cada passo de sua vida e ficam responsáveis por guardar suas memórias e fazer a ponte com importantes valores, como a cumplicidade familiar, por exemplo.

A alegria (voz de Amy Poehler) é a comandante geral das emoções de Riley, mas após um desentendimento com a tristeza sobre como lidar com uma memória, as duas acabam caindo para o campo de memórias de longo prazo, onde encontram traços da doce infância da garota. O problema é que a sala de operações fica sob o comando das três outras emoções, e isto influencia diretamente a forma como Riley passa a se comportar com seus pais – especialmente a indiferença acentuada e as primeiras crises de raiva.

A história é contagiante. Diferente de outras produções da Pixar e da Disney, não existe um hit musical por trás desta animação – e os protagonistas realmente funcionam como um elo de ligação entre todos os personagens e objetos secundários apresentados durante os 90 minutos de exibição.

Apesar da produção ter um viés forte no drama, o leve toque de humor é suficientemente bom para dosar todo o filme. Com isso, mesmo que o espectador mais emocionado chore durante alguma passagem mais tensa, é notório que existe por trás de tudo isso um sentimento de bem estar, uma previsível – é claro – certeza de que tudo vai dar certo.

Inside Out não é apenas o vencedor antecipado do Oscar de melhor animação por aclamação. Também é, sem sobra de dúvidas, um sério candidato aos prêmios em outras categorias, quem sabe beliscando uma nomeação em roteiro. Digo mais: conhecendo Hollywood, acredito que ele tem totais condições de buscar uma merecida nomeação para melhor filme. Experiência memorável para todas as idades.

NOTA: 9/10

IMDb

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