Everest (Evereste) – 2015

Na década de 1970 o gênero desastre fez muito sucesso. Não interessava se as histórias eram fictícias ou tinham um pé na realidade. A adrenalina de colocar o homem diante de situações perigosas compensava. Os anos passaram, e essa tendência ficou completamente de lado. Se é verdade que filmes como San Andreas ainda conseguem despertar uma ponta de curiosidade por conta dos efeitos, não se pode fazer a ligação direta com o passado. Neste sentido, Everest (Evereste, no Brasil) é um filme ímpar: a reconstrução do desastre de 1996 na mais alta montanha do nosso planeta é tratada com muita seriedade – e em nenhum momento o desastre natural toma frente e busca se apropriar do filme. Ao contrário, existe uma enorme e marcante preocupação de fazer com que cada personagem seja contextualizado dentro de suas próprias pretensões, para, a partir disso, buscar entender o que deu errado na subida que causou a morte de 16 pessoas.

Rob Hall (Jason Clarke) é um dos mais experientes montanhistas do mundo. Após chegar ao pico do Evereste, ele decide montar um negócio extremamente lucrativo que envolve a preparação de turistas dispostos a pagar uma significativa quantidade de dinheiro para conseguir cumprir o feito que poucas pessoas conseguiram. Ele torna a montanha em um verdadeiro negócio. Scott Fisher (Jake Gyllenhaal), aproveita-se de sua experiência e também decide criar uma empresa para fazer o mesmo tipo de trabalho, mas com uma metodologia totalmente diferente. Em 1996, o grupo de Hall, composto – entre outros – por Beck Weathers (Josh Brolin), retrato do típico texano que pensa que é melhor do que todos e que pode tudo, Doug Hansen (John Hawkes), carteiro que sonhava colocar a bandeira de sua comunidade no topo do Evereste, Yasuko Namba (Naoko Mori), a primeira mulher a tentar a subida nos sete picos, e Jon Krakauer (Michael Kelly), jornalista que tentava fazer a cobertura pela Outside Magazine. Muitos destes não retornaram para casa – e nem mesmo ao campo de controle, organizado por Helen Wilton (Emily Watson) e Guy Cotter (Sam Worthington). Como objeto de análise secundário, a mulher de Hall, Jan (Keira Knightley), e a mulher de Beck, Peach (Robin Wright), observam suas vidas mudarem de rumo do dia pra noite por conta das decisões de seus maridos.

O segredo para um roteiro que persegue o público a cada segundo está com um homem chamado Simon Beaufoy – que ganhou notoriedade mundial por 127 Hours. A Universal poderia ter comprado os direitos da obra Into thin Air – o livro mais vendido do mundo em se tratando de tragédias deste tipo – escrito por Jon Krakauer, mas preferiu pedir para Simon reunir passagens dos escritos de todos os sobreviventes do caso (que, após o sucesso de Jon, decidiram escrever suas memórias) e colocar em um roteiro extremamente polido. É claro que nem todos concordam com a sequência de eventos descrita no filme – Jon, por exemplo, veio a público dizer que o filme estava mais para a ficção do que para a realidade. Deixando de lado as brigas e as vaidades, nota-se claramente uma excelente articulação organizada por Simon para tratar de tópicos polêmicos, como a rivalidade entre Rob e Scott, os últimos minutos de vida de ambos, e a decisão de seus parceiros de não tentar resgatá-los.

Apesar disso, Everest tem seus pecados. A relação interpessoal é tão forte que por vezes os atores ficam presos por demasiado em estereótipos, como no caso de Jake. A edição certamente não privilegiou a fotografia, que poderia ser, sem sombra de dúvidas, o grande destaque desta película. Ainda assim, Everest é uma boa opção para mostrar os riscos de se escalar uma montanha deste nível. O filme causou tanta polêmica no Nepal que as agências de viagem registraram um expressivo aumento no número de turistas querendo conhecer a região e escalar o Evereste, o que fez com que o governo daquele país tomasse a decisão de impedir que viajantes tentem escalar a montanha sem uma experiência prévia, com a justificativa de “manter a glória da escalada”.

NOTA: 7/10

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