1944 – 2015

Um ano após o sucesso de Tangerines, a Estônia novamente coloca um nome de qualidade na disputa do Oscar de melhor longa estrangeiro. 1944 é uma das boas surpresas deste ano e é um sopro de ar fresco em um gênero tão problemático como os de filmes de guerra.

Maior produção já realizada na história do país, 1944 trata sobre a dura Batalha de Narva (especialmente a defesa da linha Tannenberg realizada pelos nazistas). Neste caso, o filme dá uma boa contextualização sobre o que significava ser estoniano em 1944. Muito por conta da negativa de seus habitantes em apoiar o regime de Stalin, os alemães chegaram como libertadores – e foram apoiados por boa parte da população. Uma divisão da Waffen-SS foi formada em Narva, e os estonianos passaram a se considerar dentro do grupo de arianos perfeitos – mais um motivo para lutar contra os soviéticos. No entanto, o apoio a Hitler estava longe de ser um consenso: muitos optaram por resistir e se aliaram ao exército vermelho. Ou seja, era normal ver famílias com filhos servindo tanto a Alemanha nazista quando a União Soviética. Quando os russos atacaram para retomar o país, em 1944, a luta era de irmão contra irmão de pátria.

O filme adota um teor político interessante: não chega a ser uma propaganda – e não envolve uma crítica direta aos soviéticos ou nazistas, mas explora o sofrimento de um povo que teve seus jovens tercerizados para cumprir objetivos que não estavam em seus planos. É notório que os homens da divisão alemã perderam a fé em Hitler – assim como os soviéticos se recusam a matar por matar seus compatriotas. A palavra traidor – comum em tempos de guerra – não se aplica justamente por conta das peculiaridades da região.

O toque de roteiro é bastante positivo – rápido, dinâmico, e consegue intercalar histórias com uma facilidade incrível! O protesto anti-guerra não foca diretamente no sofrimento psicológico – que virou febre em Hollywood, por exemplo – mas deixa várias perguntas abertas ao espectador. O que quero dizer é que não existe um protagonista, muito menos uma história que se destaque senão a da Batalha de Narva. Temos personagens e eventos que rodeiam o conflito – e essa é a chave do sucesso que pode levar 1944 a galgar ao menos uma indicação na pré-lista do Oscar.

A boa edição e a fotografia primorosa completam um filme que tem tudo para ser distribuído ao longo do mundo em breve.

NOTA: 8/10

IMDb

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