The Eichmann Show – 2015

Todas as produções que envolvem o Holocausto – de uma forma ou de outra – são polêmicas. Apesar de ser inquestionável o massacre judeu empregado pela Alemanha Nazista, existe um movimento dentro de Hollywood – com pretensões mundiais, inclusive – que visa barrar produções que queiram pegar o embalo da dor e do sofrimento da década de 1940 para fazer dinheiro. The Eichmann Show tem seu mérito ao saber dividir o filme em duas histórias de grande interesse: enquanto o julgamento de Adolf Eichmann em Israel é contado ao público de forma bastante linear, ao mesmo tempo acompanhamos como se deu a burocracia envolvida para levar as imagens do tribunal para o mundo inteiro. Porém, a simplificação extrema do caso que envolve um dos nazistas mais estudados até hoje – a personificação da “banalidade do mal”, nas palavras de Arendt – é notória e perigosa.

O docudrama financiado pela BBC conta com um elenco de respeito. Martin Freeman e Anthony LaPaglia interpretam Milton Fruchtman e Leo Hurwitz, dois americanos que receberam a missão de organizar a transmissão do julgamento de Eichman. Em meio a várias ameaças de mortes de grupos neonazistas, os dois tem opiniões divergentes sobre o foco das imagens. Enquanto Milton queria dar atenção especial a quem estava com a palavra, Leo queria explorar ao máximo as reações (inexistentes) do nazista, esperando uma lágrima de arrependimento ou um pedido de perdão que marcaria a história do século XX.

A história, é bom lembrar, trata de um período decisivo para a televisão. As transmissões ao vivo começavam a ganhar corpo, e existia uma exigência cada vez maior de processar os ‘tapes’ (gravações levadas com atraso para as emissoras) de forma ágil para veicular o quanto antes. É o contexto de o tribunal que condenou Eichmann a morte. Se todo o trabalho de cenário e maquiagem foi muito bem feito para um filme com recursos limitados, chama a atenção o fato da BBC não explorar a história do nazista e dissertar pouco sobre o Holocausto – fugindo completamente dos padrões estabelecidos pela produtora em filmes deste gênero. A simplificação – neste caso, o corte de tempo em uma cena para focar mais em outra – não nos permite caracterizar de forma satisfatória nem o alemão e nem mesmo produtores americanos. Talvez alongar em meia hora uma produção destas não faria mal algum.

The Eichmann Show é interessante para quem conhece a fundo a história do criminoso de guerra nazista, mas não deve ser, de forma alguma, o ponto de partida para tratar dos fatos aqui apresentados.

NOTA: 6/10

IMDb

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