Svecenikova djeca (Os Filhos do Padre) – 2013

Infelizmente o cinema da região da península balcânica não tem destaque no cenário europeu. As grandes distribuidoras conseguem mais dinheiro comprando um filme italiano de segundo nível com um ator de certo renome, ao invés de apostar em boas histórias criadas por diretores e roteiristas iniciantes, ou com poucos recursos. Isto faz com que o cinema croata, por exemplo, seja extremamente limitado ao seu pequeno mercado nacional. Quando um filme consegue romper essa barreira invisível, é sinal de que vale a pena dar uma conferida no resultado. Svecenikova djeca (Os Filhos do Padre, no Brasil) é a mais recente prova disso.

Dirigido por Vinko Brešan, o longa trata do caso do padre Fabijan (Krešimir Mikić, um dos maiores destaques de sua geração no cinema local), que passa a ver com preocupação o fato da taxa de mortes ser maior do que a de nascimentos na pequena ilha onde se localiza sua paróquia. Ao investigar sobre o motivo das mulheres não conceberem mais filhos, ele descobre que a venda de camisinhas e anticoncepcionais é altíssima. É então que, em nome de Jesus, ele decide se aliar com os dois distribuidores locais destes produtos para reverter a situação.

A fotografia inicialmente foca muito na bela região, dando ao espectador a noção da dimensão da ilha onde se passa a história para então adotar tons mais negros com tomadas escuras, que conseguem misturar a boa comédia a um certo drama. O grande problema de Os Filhos do Padre é querer apressar muito seu desenvolvimento, não contextualizando de forma eficiente os problemas enfrentados na região. Como o filme adota um tom bastante irreverente, um foco de análise secundário para explorar algumas histórias de infidelidades locais poderia ser uma ótima opção para dar mais vida e corpo a história. Os atores desempenham bem seus papeis, mas não passam disso: os personagens não tem profundidade, mas apenas traços de personalidade que os acompanham durante toda a exibição.

O fato da premissa do filme chamar a atenção também é a maior responsável pelo seu sucesso, ainda que bastante limitado. Ao ver o padre ser uma espécie de Deus atuando em escala reduzida, temos uma bom exemplo de como uma ideia inteligente pode se tornar em um longa agradável, mesmo com todas as falhas – que chegam a ser compreensíveis pela falta de apoio do governo local.

NOTA: 6/10
IMDb

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