One-Eyed Jacks (A Face Oculta) – 1961

Tenho a sorte de poder dizer que comemoro aniversário na data de nascimento de um dos maiores atores da história: Marlon Brando. Como de costume, sempre no dia 3 de abril trago um de seus filmes para análise. Neste ano, optei por escrever sobre One-Eyed Jacks (A Face Oculta, no Brasil), western que chama a atenção por ser a única película dirigida por Brando. A aventura deste ícone de Hollywood por trás das câmeras, no entanto, não foi das melhores: apesar do filme ter sido um sucesso de bilheteria na época de seu lançamento, a Paramount ficou frustrada com o estrelismo de Marlon. Além de utilizar cinco vezes mais rolos de filme do que o padrão da época, o ator saiu reclamando que o estúdio colocou no cinema uma obra inacabada, uma vez que ele não participou do corte final (a versão que Brando entregou aos executivos tinha mais de cinco horas de duração, impensável na época). Após reclamar da falta de profundidade de seus personagens, Brando jurou para si mesmo que jamais voltaria a dirigir um longa metragem. E cumpriu sua promessa.

Rio (Marlon Brando) e Dad Longworth (Karl Malden) eram inseparáveis. Com o status de dois dos melhores ladrões de bancos da Califórnia, eles se separam após serem perseguidos pela polícia mexicana após um assalto na fronteira. Cinco anos mais tarde, Rio escapa da prisão e descobre que Dad vive muito bem como xerife de uma pequena cidade. Após Rio ir em busca de seu ex-parceiro, o acerto de conta entre os dois é inquestionável.

Um olhar rápido sobre One-Eyed Jacks nos mostra Marlon Brando em um papel tipicamente seu: um macho despreocupado com as consequências de seus atos e que não aceita levar desaforos para casa. Neste caso, ao mesmo tempo em que confio na palavra do diretor na questão da profundidade dos personagens, não posso deixar de criticar os editores responsáveis pelo corte e até mesmo o próprio Brando, por abusar de cenas que reforçam seu ego. O roteiro é extremamente simples, e aposta deixa claro desde o começo que o desfecho final envolverá o problema exposto na primeira cena.

Por várias vezes os fãs de Stanley Kubrick ponderaram como seria o desfecho do longa se o lendário diretor tivesse assumido este western (foi substituído por Brando para trabalhar em Spartacus). Fato é que, apesar de ser um western típico da década de 1950, One-Eyed Jacks sofre com a falta de elementos externos que façam frente à rivalidade entre os dois protagonistas. Ainda assim, é uma excelente pedida para ver uma atuação de classe de dois grandes atores do cinema mundial.

NOTA: 7/10

IMDb

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