Lásky jedné plavovlásky (Os Amores de uma Loira) – 1965

Lásky jedné plavovlásky (Os Amores de uma Loira, no Brasil) colocou a New wave tcheca na mira de diretores e roteiristas de toda a Europa. Com o reconhecimento vindo pela indicação ao Oscar de melhor película estrangeira, Milos Forman deixou de ser uma promessa para virar referência em seu continente.

Andula (Hana Brejchová) é uma garota que trabalha em uma pequena fábrica na região em que existe dezesseis mulheres para cada rapaz – tudo por conta de uma convocação do exército. Após ela e duas amigas serem flertadas por oficias casados, ela se encanta por um jovem pianista que a seduz por uma noite. Só que o homem, que não pretendia nada mais sério, descobre que acabou despertando uma grande paixão em Andula.

A história da produção deste filme é um tanto curiosa: Forman somente conseguiu recursos após o reconhecimento internacional de Cerný Petr (Black Peter), seu primeiro longa, uma vez que o departamento de censura da Tchecoslováquia havia considerado seu trabalho como algo fútil. No entanto, após a entrega do primeiro script de Os Amores de uma Loira, os produtores ficaram com um pé atrás pela temática que fugia totalmente do que era produzido no cinema comunista neste período. Forman colocou seu nome em jogo e garantiu a rodagem de toda sua película sem fazer uma alteração sequer.

Outro ponto interessante diz respeito à atuação do elenco: a maioria dos atores escalados eram amadores e profissionais da região, o que dá uma sensação de um filme extremamente caseiro – fica nítida a impressão de que são pessoas reais fazendo papéis reais e relevantes para o contexto social em que eles estão imersos. A estrela da produção, Hana Brejchová, era ex-cunhada de Forman, e por vários anos a lenda de que sua seleção foi feita apenas para causar inveja em sua ex-esposa, a atriz Jana Brejchová, foi disseminada no meio artístico. Se Hana algumas vezes fica com um olhar um tanto quanto vazio, é justamente esta inocência perante as câmeras que tornaram sua imagem popular por mais de uma década.

A construção do roteiro é impecável! Diante de nossos olhos podemos observar como se desenvolve um romance em um país extremamente fechado e com grande repressão sexual. Em uma das cenas mais memoráveis, existe um típico confronto de gerações, na qual um mulher com mais idade pede para as meninas jovens se relacionarem com poucos homens para manter uma reputação limpa e honrada. As cenas de nudez, raríssimas no cinema comunista do período, foram vistas com bons olhos pelos franceses e italianos, que aos poucos observavam um alinhamento de suas escolas.

A breve história de altos e baixos de Andula faz parte da seleção de filmes cults de Forman – desconhecidos do grande público mas de fundamental importância para seu acolhimento em Hollywood a partir de 1968.

NOTA: 7/10

IMDb

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