Horí, má panenko (O Baile dos Bombeiros) – 1967

Horí, má panenko (O Baile dos Bombeiros, no Brasil) foi uma das produções mais polêmicas da New Wave tcheca.

Baseado em uma história vivenciada por Forman, Ivan Passer e Jaroslav Papousek em uma pequena cidade que organizava um jantar festivo em homenagem aos bombeiros, essa comédia nos mostra como um pequena unidade se prepara para homenagear seu chefe de 86 anos com um presente inesquecível. No entanto, uma série de furtos, a desorganizada escolha da moça mais bela e até mesmo um incêndio acabam tornando tal ocasião ímpar.

O filme ficou apenas três semanas nos cinemas da Tchecoslováquia. Durante o período da Primavera de Praga, os censores do governo de Alexander Dubček deixaram as sessões abertas ao público, apesar de um certo desconforto com a temática. Com a invasão da União Soviética e seus aliados, este filme foi colocado na lista de obras “banidas para sempre” – uma espécie de livro negro que também mostrava o nome de Forman como uma persona non grata. Após o produtor Carlo Ponti ser ameaçado de morte por emissários de Moscou, Milos perdeu o financiamento e esteve perto de ser condenado em uma ação do governo tcheco – que buscava o retorno de seu empréstimo para esta produção. Se não fosse por François Truffaut e Jean-Luc Godard, provavelmente o diretor tcheco enfrentaria uma pena de dez anos na prisão.

Seguindo o apresentado em Os Amores de uma Loira, a esmagadora maioria das pessoas utilizadas neste filme são amadores. Todos os bombeiros mostrados na tela realmente trabalhavam no combate ao fogo (o que rendeu uma grande dor de cabeça para alguns deles após 1968). O roteiro tem um toque especial: com um toque rápido e carregado de diálogos, desde o primeiro minuto fica claro que o diretor está apontando diretamente para a corrupção do Partido Comunista e para todo o diálogo sujo feito pelos burocratas em nome do povo.

Após apresentar o supra sumo da New Wave tcheca e virar uma referência local, O Baile dos Bombeiros seria a última produção de Forman em seu país natal. Com a chegada de  Gustáv Husák e o retorno da forte influência soviética (período da normalização) – Hollywood seria o destino do diretor, que, como sabemos, nos brindaria com pérolas sagradas do cinema anos depois.

NOTA: 7/10

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