Cut Bank – 2014

Cut Bank é um filme que tenta passar um ar descolado desde sua primeira cena. Com um jovem e bonito casal escalado como protagonistas (Teresa Palmer e Liam Hemsworth) – a diminuição da escala do objeto é feita de forma tão descuidada que acaba prejudicando um longa que teria tudo para se diferenciar dos thrillers tradicionais.

A história se passa na pacata cidade que dá nome ao filme, localizada no Estado de Montana. Enquanto Dwayne (Hemsworth) filma sua namorada (Palmer) nos belos campos da região, dois homens surgem no ângulo da gravação: um deles aponta uma arma ao carteiro da cidade (Dern), que acaba executado com dois tiros no peito. Dwayne toma conhecimento de que qualquer prova pela morte de um funcionário público do governo dos Estados Unidos está sujeita a uma recompensa de 100 mil dólares, e logo passa a filmagem para o xerife Vogel (John Malkovich), ainda chocado com o primeiro assassinato da história de sua cidade. O plano perfeito começa a dar errado quando o estranho Derby Milton (Michael Stuhlbarg) passa a buscar sua correspondência que estava no caminhão no dia que o carteiro foi morto – e que jamais foi entregue.

Se olharmos para o papel, não tenho dúvida de que o ponto forte deste longa é o elenco, que deve garantir ao menos uma distribuição digna para honrar Dern e Malkovich, duas lendas do cinema que infelizmente não tiveram a chance de brilhar pela limitação criativa de seus personagens. Em linhas gerais, o estilo de Cut Bank lembra muito os filmes dos irmãos Cohen. Mas ao contrário dos diretores de Fargo, aqui existe uma falta de comprometimento com o mistério – uma vez que a solução do caso é revelada ao público muito antes do que deveria – e tudo passa a ser extremamente imprevisível. Fiquei abismado ao ver como o diretor Matt Shakman (It’s Always Sunny in Philadelphia) quis fazer a transição da TV para a grande tela utilizando a fórmula de um seriado de TV. Parece que ele estava mais preocupado em dar um final feliz a história do que realmente contar um caso intrigante. Em nenhum momento o espectador é desafiado e em nenhum momento o filme foge de sua zona de conforto instalada a partir do momento em que observamos o estranho assassinato.

Com um potencial imenso – não aproveitado – Cut Bank acaba como um filme secundário, que será promovido muito mais pelo nome de seus atores do que pela sua história.

NOTA: 5/10

IMDb

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