I Origins – 2014

O segredo em seus olhos.

Como todos sabem, a relação entre fé e ciência é bastante conturbada. Quando Hollywood faz uma produção baseada na Bíblia, as críticas aparecem por tudo quanto é lado. O inverso também é verdadeiro, já que um filme de caráter unicamente científico é visto com maus olhos pelas Igrejas americanas. O maior trunfo de I Origins é jogar com esta relação de forma bastante agradável durante a maior parte de sua rodagem, sem puxar para nenhum lado.

O Dr. Ian Grey (Michael Pitt) é um perfeccionista microbiologista que atua no campo da visão. Ele pensava que seu maior legado seria o trabalho que começou durante seu doutorado, que visava curar o daltonismo nos ratos para então levar uma possível cura para os humanos. Sempre deixando Deus de lado, Grey estava convencido de que os olhos humanos são a prova mais clara de que o homem passou por vários estágios de evolução. Certo dia, sua assistente, Karen (Britt Marling), decide expandir sua pesquisa e começa a catalogar os doze degraus que separam o olho humano dos micro organismos com algum tipo de visão – que causa uma série de descobertas de grandes proporções. Mas esta história fica em segundo plano quando Ian passa a procurar Sophie (Astrid-Berges Frisbey), uma bela modelo que ele conheceu durante uma festa de Halloween e que Ian passa a procurar através de uma foto que ele havia tirado de seus olhos. A jovem é o oposto total do doutor, já que acredita em todos os tipos de superstição e se diz temente a Deus. E é em uma tragédia que a fé e a ciência cruzam os caminhos de Ian, Karen e Sophie.

Os minutos finais do filme abrem uma grande indecisão. Ainda assim, não podemos o considerar como um final aberto, mas sim um desfecho orientado que deixa claro nas entrelinhas o pensamento dos produtores. Não é nem um pouco satisfatório pois não acompanha o que era apresentado até então, se tornando em um claro exemplo de uma produção que morre pela falta de fôlego. A ideia é excelente, o toque do roteiro é satisfatório, a trilha sonora e boa mas fica claro que a história necessitava de um certo polimento antes das considerações finais serem atiradas ao público.

O diretor Mike Cahill agradou muita gente na última edição de Sundance com este longa, e não deve ser difícil imaginar que em breve estaremos diante de mais uma produção sua, mesmo com as falhas apontadas. No entanto, I Origins foi uma ótima oportunidade para os americanos descobrirem o talento da linda atriz Astrid Bergès-Frisbey, que tem um papel muito difícil em meio a tantas questões.

NOTA: 6/10

IMDb

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