Batman Returns (Batman – O Retorno) – 1992

Batman Returns é incrivelmente fraco, tendo em conta o investimento de mais de 80 milhões de dólares. Após o sucesso mundial do primeiro longa, Tim Burton deixou bem claro a Warner que somente voltaria a dirigir um filme de Batman caso a ideia fosse agradável e ele tivesse controle de todos os estágios da produção, ideia prontamente aceita pelos executivos das produtoras envolvidas.

O problema de Batman pode ser dividido em três partes: história, elenco e produção. Na segunda parte da franquia, Oswald Cobblepot, o Pinguim, (interpretado por Danny DeVito) surge em Gotham City para buscar saber o motivo de seus pais o abandonarem em seu nascimento. Como o público passa a adorar sua história de vida, o megaempresário Max Shrek (Christopher Walken) vê nele a possibilidade para se tornar o novo prefeito da cidade e aprovar o plano de construir uma nova usina de energia, que, na verdade, pretende esgotar os recursos da cidade. A secretária Selina Kyle (Michelle Pfeiffer) descobre o plano maléfico e é alvo de uma tentativa de assassinato, o motivo pelo qual ela se torna a Catwoman, a mulher gato. No meio de todo este rolo, Batman (Michael Keaton) aparece como o salvador da pátria, apesar de Oswald tentar o colocar contra a cidade.

Partindo para a análise deste roteiro, é fácil encontrar um bocado de problemas: Selina não parece ser, nem de longe, o melhor perfil para a Catwoman. Existem vários furos na história de como a loira virou uma mulher com super poderes. E é justamente esta falta de explicação que torna Returns sem graça. Se em uma cena a personagem de Pfeiffer era uma simples e depressiva ajudante de escritório, como – de uma hora pra outra – ela consegue tantas habilidades? Por isto não poupo elogios para a trilogia de Christopher Nolan, que buscou estudar os graves problemas de todos os filmes relativos ao homem morcego feitos anteriormente para fazer seu próprio antídoto. Infelizmente o comissário James Gordon tem um papel irrelevante – tal como a polícia, que aparece apenas para dar o ar de sua graça, já que sua credibilidade é comprometida deste o primeiro minuto. A tentativa de fazer o velho Alfred (Michael Gough) como um crânio da tecnologia também não convenceu. Mas o pior de tudo é assistir ao longa e ter a noção de que não existe uma única surpresa, tudo é previsível e apresentado de forma apressada.

Keaton é a única boa atuação do longa, em um papel muito mais violento do que o antecessor. Danny DeVito não entregou a mesma credibilidade que Nicholson nas telas, e seu personagem vazio não agradou aos fãs da franquia na época do lançamento (apesar das ótimas críticas do filme em si). Michelle Pfeiffer esbanja tanta sensualidade que sua atuação como Catwoman fica presa apenas a seu corpo, motivo de uma ou duas frases a cada vez em que ela aparece na tela.

Após assistir este filme mais uma vez, fiquei pensando se seu orçamento realmente foi de 80 milhões de dólares. Em 1989 a Warner fez muito mais com vinte milhões a menos. Todo o longa ocorre nos mesmos cenários, os efeitos visuais deixam a desejar e a cidade de Gotham é escura e vazia, com uma porção de figurantes responsáveis por todas as tomadas que pretendiam mostrar a multidão. Se a maquiagem de DeVitto merece elogios (e foi o motivo da indicação ao Oscar nesta categoria), o mesmo não se pode dizer do absurdo feito com Walken, que parecia estar escalado para outro longa. Seu papel era pra ser se um ator com pelo menos dez anos a mais (sempre achei que Peter O’Toole se encaixaria bem).

Batman Returns foi celebrado e conseguiu bons resultados por conta de seu investimento. A história é ruim, as atuações deixam a desejar, e, em um olhar atento, a produção opta pela mesma fórmula de 1989 – só que piorada.

NOTA: 3/10

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