Wild (Livre) – 2014

Wild (Livre, no Brasil) é o longa que coloca Reese Witherspoon de volta as grandes produções de Hollywood. Com uma produção muito bem orquestrada para um filme independente (apesar do apoio milionário da Fox), a história é problemática do inicio ao fim.

Adaptado do livro homônimo, Witherspoon interpreta Cherry, uma mulher que busca refugio na natureza para superar seus dramas pessoais. Seu descontrole emocional após a morte de sua mãe acentuou sua compulsão por sexo, acarretando em várias relações extra-conjugais (responsáveis pelo ponto final de seu casamento) e no perigoso vício da heroína. O percurso Pacific Crest Trail – caminhada de 1700 quilômetros por vários estados – foi a solução para ela fazer as pazes consigo mesma e deixar para trás as más lembranças.

O problema do roteiro de Nick Hornby é explorar a jornada com um toque exagerado de sensualidade. Por incrível que pareça, a história contada em Wild parece ser secundária as aventuras sexuais da protagonista (já apresentada em uma das primeiras cenas) e de seu passado. Isto me chamou muito a atenção, pois Hornby tratou do sexo com uma classe ímpar no ótimo An Education, um dos melhores filmes de 2009. O diretor Jean-Marc Vallée poderia usar sua experiência e seu sucesso no ano passado para exigir algo mais próximo de Dallas Buyers Club, com um foco direto na história, já que a vida sexual de Ron Woodroof ficou de lado frente a sua luta. Esperava o mesmo. Por outro lado, créditos a Vallée, que mais uma vez conseguiu a nomeação de dois artistas as categorias principais de atuação. Com todo respeito que Laura Dern merece (ela interpreta a mãe de Cherry), teria uma lista de atrizes que desempenharam um papel mais relevante em seus longas para justificar uma nomeação ao Oscar. Digo isto levando em conta que a personagem de Dern carrega um peso sentimental que acompanha a protagonista durante todo o longa, com bonitas passagens e flashbacks, mas poucos diálogos.

Mesmo com a desconfiança do público e com alguns jornalistas duvidando de sua capacidade para voltar a brilhar em Hollywood por conta de seus problemas pessoais (o caso em que foi presa bêbada, dois anos atrás, pesou para tal previsão) – Witherspoon teve a segunda chance que poucos artistas tem. Apesar de Wild ser construído em bases frágeis, este papel deve representar em sua carreira a mesma renovação que Cherry buscava quando fez a trilha retratada aqui.

NOTA: 4/10

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