Virunga – 2014

Virunga busca contar uma história fora do alcance da grande mídia. Afinal, todos sabemos que a África é deixada de lado. Um professor dizia – com toda razão – que a televisão gosta de mostrar a apenas a África selvagem, esquecendo-se dos problemas sociais da região. O Parque Nacional de Virunga é reconhecido pela ONU como um patrimônio mundial da humanidade. Localizado no Congo, ele é o habitat de alguns dos últimos gorilas das montanhas do mundo. Por conta da guerra civil no país, tanto os guardas florestais quando os gorilas viram alvo de um grupo paramilitar interessado nos dólares sujos do petróleo.

A grande vilã desta história é a SOCO, empresa de exploração especialista em áreas de risco. A narrativa acompanha a jornalista francesa Melanie Gouby, que se infiltra no dia a dia dos empregados da SOCO e mostra para o mundo alguns dos diversos disparates que eles dizem sobre os africanos e sobre o parque de Virunga. Algumas cenas apresentadas são memoráveis. Destaco o enterro de um gorila, que foi tratado como se fosse alguém da comunidade, com direito a canto de despedida e muito choro. A relação dos animais com as pessoas da área é marcante, e o diretor Orlando von Einsiedel foi muito feliz ao conseguir captar com tamanha precisão tal sentimento. Mas, infelizmente, o documentário deixa vários pontos em aberto. Este problema fica evidente nos nos minutos finais, quando, aos poucos, o espectador passa a acompanhar uma lenta transição de uma proposta que visa contar uma história para uma que busca colocar o público no meio de uma guerra. No entanto, após o clímax do desenvolvimento – insatisfatório, por sinal – não sabemos até que ponto o que nos foi transmitido era algo real ou apenas mais um meio de manipular a audiência para que ela acredite em algo muito mais sério do que realmente é.

Não se engane: o parque de Virunga realmente sofre com diversos problemas, e existe toda uma campanha dos governos europeus para preservar a área mostrada neste documentário. Fico com a sensação de que assisti a uma excelente lição sobre a corrupção e o caos em que o Congo está submerso ao mesmo tempo em que noto que este não era o produto pelo qual me interessei.

Mesmo assim, considero ótima a iniciativa do Netflix em patrocinar jovens diretores em projetos diversos. Deu certo ano passado com The Square – e com o premiado The Lady in Number 6 – e tem tudo para dar certo no futuro.Créditos também ao produtor Leonardo DiCaprio.

NOTA:7/10

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