Vampyr (O Vampiro) – 1932

Enquanto Carl Laemmle Jr. produzia alguns dos mais importantes filmes de terror da história do cinema, Carl Theodor Dreyer mudou completamente de rumo ao filmar Vampyr (O Vampiro, no Brasil). Após a excelente aceitação de La passion de Jeanne d’Arc, o dinamarquês deixou de lado o drama para se aventurar em um gênero completamente diferente do que estava acostumado justamente no período mais crítico do cinema: a transição do mudo para o falado. Infelizmente a versão original deste filme foi perdida, e a Criterion trabalhou na reconstrução das cenas a partir de cópias encontradas na França e na Alemanha.

Allan Gray chega a uma pequena cidade francesa e consegue um quarto para dormir. Já na cama, ele se depara com um misterioso homem que deixa um pacote em cima de uma mesa, orientando a abertura do mesmo após sua morte. Após Gray ir atrás de respostas, ele encontra um estranho médico e uma velha senhora cujo comportamento chama sua atenção. Minutos depois, o personagem principal assiste ao assassinato do homem que esteve em seu quarto no dia anterior, e descobre que o mistério pode ter relação com um vampiro que ronda o vilarejo.

Esteticamente, Vampyr foi um grande passo a frente de tudo o que os europeus estavam acostumados. Além de se preocupar com o uso das sombras, o movimento das câmeras bastante rápido representou uma quebra do padrão vigente das bases imóveis de filmagem, que se popularizaram pelo preço e acessibilidade. Além disso, a genialidade do diretor pode ser comprovada na cena de um sonho em uma passagem que contou com um trabalho impecável de transposições de imagens. Para distinguir o personagem real do personagem da ilusão, Dreyer colocou uma pequena gaze médica na frente da câmera, criando um efeito memorável. Seria justamente esta tomada que seria apedrejada pela crítica da época, muito pelo fato de parte do público não entender a representação do que era mostrado como um sonho, talvez pela falta de explicação.

Dreyer sempre deixou claro que gostava de trabalhar com amadores pois eles davam um traço de realidade que os atores não conseguiam atingir, pois estes eram apenas especialistas em caras e bocas. Em uma época onde as produções independentes começavam a ganhar espaço, o diretor inovou pedir financiamento para o Barão Nicolas de Gunzburg, que virou o protagonista do filme. Ainda sobre este assunto, proponho ao leitor que ainda não teve a oportunidade de assistir a esta película observar com atenção as expressões faciais do elenco e tentar descobrir quem é amador e quem é profissional. Na transição para os talkies, Dreyer optou por tomar uma atitude mais conservadora por dois motivos. O primeiro diz respeito a falta de especialistas de áudio na França (o diretor estudou por meio ano na Inglaterra a nova tecnologia e conseguiu comprar os equipamentos necessários para a gravação com o dinheiro de Gunzburg). Outro motivo diz respeito as nacionalidades de seu elenco, dividido entre alemães e franceses e belgas. A saída mais lógica foi utilizar poucas linhas de diálogo e pedir ajuda para os intertítulos.

Filme de terror incompreendido em seu tempo, Vampyr é um dos principais alvos de estudo dos acadêmicos que exploram a vida de Carl Theodor Dreyer, além de ser uma das adições clássicas ao gênero que se popularizou na década de 1930.

NOTA: 7/10

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