The Hunger Games (Jogos Vorazes) – 2012

Ame-o ou odeie-o. A adaptação cinematográfica da série The Hunger Games (Jogos Vorazes, no Brasil) não apenas conquistou uma grande legião de espectadores e fãs mundo afora, mas também conseguiu atrair controvérsia e críticas dos mais variados tipos. Conservadores americanos, por exemplo, acusam Suzanne Collins de enriquecer através da manipulação de crianças (só para ter ideia do nível da coisa).

Okay, a ideia por trás de The Hunger Games chama a atenção, mas cabe lembrar que ela não é nem um pouco original. Certamente Collins foi inspirada na série de livros e filmes Battle Royale, do Japão. Aliás, por muito pouco o projeto de The Hunger Games não ficou na prateleira: os americanos compraram o roteiro japonês das mãos de Koushun Takami e prometeram iniciar as filmagens do longa em 2007. Mas, por conta de uma série de disputas judiciais que poderiam surgir pelo título em inglês, a ideia foi deixada de lado. Quando a New Line Cinema voltou atrás, era tarde demais: Jennifer Lawrence já havia conquistado seu público e rodar a adaptação do longa japonês poderia se tornar um péssimo negócio para o estúdio, já que teria que conviver com as críticas oportunistas de que só financiou o projeto por conta do sucesso deste filme.

Em um futuro pós-apocalíptico, dois adolescentes de cada um dos doze distritos de Panem são selecionados através da loteria para participar em um jogo com apenas um único vencedor.  Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), se oferece para ir no lugar de sua irmã (Willow Shields), e entra na equipe do Distrito 12 ao lado de Peeta (Josh Hutcherson). Enquanto eles se preparam para a disputa, os dois são orientados pelo álcoolatra Haymitch Abernathy (Woody Harrelson) – que também foi tributo na sua adolescência e sabe a essência do jogo.

Goste ou não, a premissa do filme é ver crianças matando crianças em um jogo. Se o espectador comprar a ideia, com certeza vai gostar da série, comprar livros, etc. Para tornar o longa cinematograficamente e comercialmente possível sem tomar um rating R nos Estados Unidos, a violência é posta como algo necessário para cumprir o objetivo. Apesar de todos os personagens que buscam se vincular com o público não buscar sangue por si só, o diretor Gary Ross foi inteligente ao optar por sequências rápidas com vários cortes de cena para ilustrar as mortes.

Apesar da atuação de Jennifer Lawrence ser boa, não posso concordar com o tratamento dado ao elenco de apoio. É triste, por exemplo, ver Woody Harrelson em um papel ridículo. Donald Sutherland ocupa em cargo meramente simbólico e aparece em duas ou três cenas com linhas de diálogo nem um pouco interessantes – algo que, infelizmente, se tornou rotina nos últimos anos de sua carreira. Stanley Tucci, por sua vez, parece ser o único que consegue se destacar. Ao interpretar o comentarista dos jogos, ele chama a atenção pela sua excentricidade carismática.

Lucrar dez vezes mais do que o orçamento não é para qualquer um. Palmas para a Lionsgate.

NOTA: 6/10

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