The Hundred-Foot Journey (A 100 Passos de Um Sonho) – 2014

Já critiquei algumas vezes o cinema indiano de massas (Bollywood), especialmente por deixar de lado sua identidade para dar lugar a uma cópia barata do que é feito nos Estados Unidos. Por outro lado, projetos interessantes como o de The Hundred-Foot Journey (A 100 Passos de Um Sonho, no Brasil), que poderia facilmente virar um grande filme por lá, é deixado de lado.

Dirigido por Lasse Hallström (The Cider House Rule) e adaptado do livro de Richard C. Morais, este longa começa com um conflito familiar: na década de 1990, as disputas étnicas na Índia afastaram o sonho de Papa (Om Puri) fazer de seu restaurante o principal ponto gastronômico de Bombaim. Rebeldes incendiaram o negócio familiar, que acabou levando sua esposa. Após tentar a vida na Inglaterra, Papa leva seus filhos para uma pequena cidade no sul da França, local escolhido para abrir seu restaurante. 100 passos adiante estava o luxuoso espaço gourmet de madame Mallory (Helen Mirren), que não aceita competir com o que ela considerava ‘comida de fast food’. Entre as disputas entre Papa e Mallory está Hassan (Manish Dayal), um jovem prodígio que chama a atenção de todos por sua capacidade de aprendizado e de aperfeiçoar temperos centenários.

Infelizmente o filme é trinta minutos mais longo do que deveria ser. Na marca de uma hora de rodagem já temos uma definição completa e previsível do que vai acontecer a seguir. O problema está nas cenas a seguir, que misturam tomadas desnecessárias com a jornada de Hassan ao estrelato culinário de forma muito confusa. É o pecado mortal do excesso de preciosismo, de querer explicar tudo da forma mais precisa possível para querer entregar um final feliz. Destaque para a boa trilha sonora consegue a proeza de misturar Edith Piaf, Mozart e canções indianas sem cair no ridículo, respeitando o tempo e o contexto de cada cena.

The Hundred-Foot Journey proporciona boas risadas e tem um romance secundário que é explorado de forma positiva, sem abusar da sensualidade para calibrar com o toque do longa. Mas não é o filme concorrente ao Oscar que o produtor Steven Spielberg esperava ser.

NOTA: 6/10

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